Combate às bactérias multirresistentes: os fármacos adjuvantes

Estudos publicados nas revistas “Scientific Reports” e “Antimicrobial Agents and Chemotherapy”

20 março 2017
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Uma equipa de investigadores conduziu estudos que identificaram genes que contribuem para a resistência a antibióticos por bactérias multirresistentes.
 
O estudo conduzido por investigadores da Universidade de Copenhague, Dinamarca, e da Escola de Medicina Veterinária da Universidade Ross, em São Cristóvão e Névis, poderá conduzir à elaboração de fármacos adjuvantes com o potencial de repor a suscetibilidade das bactérias resistentes aos antibióticos.
 
Para o estudo, os investigadores centraram-se em dois tipos de bactéria multirresistente: Klebsiella pneumoniae que pode causar infeções mortais e é responsável por infeções hospitalares, como a pneumonia, e pode infetar recém-nascidos e pacientes nos cuidados intensivos. Em alguns países, esta bactéria é resistente ao tratamento com antibióticos carbapenémicos em cerca de 50% dos pacientes.
 
A outra bactéria, a Escherichia coli, é uma bactéria intestinal que é frequentemente a causa de infeções do trato urinário. Em muitos países os antibióticos fluoroquinolonas são ineficazes no tratamento de infeções em também cerca de 50% dos pacientes.
 
Através de instrumentos genómicos de ponta, a equipa de investigadores conseguiu detetar quais são os genes que contribuem para a resistências naquelas bactérias multirresistentes. 
 
Foram identificados numerosos genes nas estirpes multirresistentes da K. pneumoniae, os quais parecem constituir a chave para esta bactéria conseguir sobreviver à colistina, que é um antibiótico de última linha usado no combate das infeções daquele agente patogénico. 
 
Para demonstrar que a sua descoberta poderia originar novos fármacos, os investigadores desativaram a expressão de um dos genes detetados. Como resultado, a bactéria K. pneumoniae voltou a ser suscetível à colistina. A equipa fez o mesmo procedimento com a bactéria E. coli e os resultados foram idênticos em termos de suscetibilidade. 
 
Os autores do estudo consideram que esta descoberta irá conduzir ao desenvolvimento de fármacos adjuvantes, que são compostos que administrados com outros fármacos (os antibióticos neste caso) fazem aumentar a sua capacidade. 
 
“A nossa descoberta demonstra que as bactérias multirresistentes não são invencíveis. Possuem um pé de Aquiles e agora nós sabemos como vencê-las”, avançou Luca Guardabassi, um dos autores do estudo da Universidade de Copenhague.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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