Combate ao antienvelhecimento: cientistas rejuvenescem músculos

Estudo publicado na revista “Nature”

01 outubro 2012
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Uma equipa internacional de cientistas conseguiu identificar, pela primeira vez, um fator chave responsável pela degradação dos músculos durante o processo de envelhecimento. A mesma equipa descobriu também como suspender esse processo em ratinhos idosos, utilizando um fármaco comum.
 

Investigadores do King’s College, Reino Unido, da Harvard University e do Massachusetts General Hospital, EUA, conduziram um estudo em células estaminais encontradas no interior dos músculos, as quais são responsáveis por reparar os danos causados aos mesmos, para perceberem a razão pela qual a capacidade regenerativa dos músculos se deteriora com o avançar da idade.
 

Existe no interior de cada músculo um reservatório de células estaminais dormentes que são ativadas sempre que praticamos exercício físico ou danificamos o músculo. Essas células dividem-se então em centenas de fibras musculares para repararem o músculo. No fim do processo de reparação algumas dessas células repovoam o reservatório de células estaminais para que o músculo mantenha a capacidade de se autorreparar continuamente.
 

O estudo revelou que, nos ratinhos idosos, a quantidade de células estaminais presentes no reservatório diminuía com a idade, o que poderá explicar o facto da capacidade de autorreparação do músculo diminuir com o avançar da idade.
 

A equipa descobriu que os músculos envelhecidos possuíam grandes quantidades de proteína FGF2, a qual estimula a divisão das células. No entanto, esta proteína pode também ativar o reservatório de células estaminais dormentes, mesmo quando estas não são necessárias. Esta ativação contínua destas células poderá fazer com que o reservatório se esgote, sendo que quando o músculo necessita das células estaminais para se autorreparar, estas não estão presentes, não conseguindo portanto dar uma resposta adequada.
 

Ao tentarem inibir a presença da FGF2 em músculos idosos, através da administração de um fármaco comum, os investigadores conseguiram reduzir o declínio na quantidade de células estaminais nos ratinhos.
 

Segundo o Dr. Albert Basson, professor associado no King’s College Dental Institute, Reino Unido, “esta descoberta abre a possibilidade de um dia se poder desenvolver tratamentos para rejuvenescer os músculos idosos. Se o conseguirmos fazer, poderemos fazer com que as pessoas vivam com mais mobilidade e de forma mais independente quando envelhecem”.
 

Kieran Jones, do King’s College e coautor do estudo, acrescentou que “a próxima etapa irá consistir em analisar músculos envelhecidos em humanos para ver se o mesmo mecanismo poderá ser responsável pelo esgotamento das células estaminais em fibras musculares humanas, conduzindo ao desperdício e perda de massa”.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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