Colo do útero: oito em cada dez mulheres fazem rastreios regulares

Estudo promovido pelo Programa Nacional de Doenças Oncológicas

28 janeiro 2015
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Em Portugal, oito em cada dez mulheres são submetidas a rastreios regulares do cancro do colo do útero, segundo um estudo promovido pelo Programa Nacional de Doenças Oncológicas, que alerta para o facto de cerca de 16,8% das mulheres nunca ter feito uma citologia.
 

De acordo com a notícia avançada pela agência Lusa, das 800 mulheres inquiridas, com idades entre os 30 e os 60 anos, 83,1% responderam fazer citologias, e destas 93,5% dizem fazê-lo de forma regular. A maioria (59,8%) afirmou fazer o exame uma vez por ano e 24,8% de dois em dois anos.
 

A realização deste estudo teve por base dados que revelaram uma diminuição da adesão das mulheres aos rastreios do cancro do colo do útero realizados pelas administrações regionais de saúde, em que a população alvo é convidada a fazer o rastreio.
 

O diretor do Programa Nacional de Doenças Oncológicas, Nuno Miranda, que apresentou esta semana os dados no Instituto Português de Oncologia, no âmbito da Semana Europeia da Luta Contra o Cancro do Colo do Útero, considera "muito positivos" os dados obtidos com o estudo global, que inclui também os rastreios feitos nas consultas privadas.
 

"São dados que explicam e justificam a diminuição da mortalidade" por este tipo de cancro, cuja taxa caiu de 3,30 em 2011, para 2,80 em 2012, disse Nuno Miranda aos jornalistas.
 

A sondagem revela ainda que 16,8% das inquiridas nunca fez uma citologia, sendo que destas 18% aponta como motivo para a não realização do exame "não saber como proceder".
 

"Temos alguma população ainda para cobrir e preocupa-nos a população mais desfavorecida do ponto de vista social porque essas serão as que terão mais dificuldade em chegar a meios fora do rastreio organizado", acrescentou Nuno Miranda.
 

Os principais locais apontados para a realização do rastreio foram sobretudo os centros de saúde (53,8%), mas o estudo não conseguiu estabelecer se o maior número de respostas afirmativas está relacionado com a existência de médico de família. Os médicos privados foram responsáveis pela realização de 39,5% dos rastreios.
 

"Podemos dizer que na região onde consideramos que há menos população com médico de família, o Algarve, existe também menor taxa de cobertura, mas quando vamos ver todas as regiões não encontramos uma relação direta", disse Nuno Miranda.
 

Questionado sobre a influência da vacina contra o HPV [Vírus do Papiloma Humano], contemplada no Plano Nacional de Vacinação em Portugal desde 2008, na diminuição da mortalidade por cancro do colo do útero, Nuno Miranda adiantou que esses resultados ainda não são visíveis.
"A vacinação ainda não é responsável por esta redução. Esperamos ver isso dentro de cinco anos, mas não consideramos que a vacinação seja uma alternativa ao rastreio. As mulheres vacinadas também têm que ser rastreadas", sublinhou.
 

Nuno Miranda referiu ainda que o cancro do colo do útero já não é dos que mais mata em Portugal e, segundo o especialista, a mortalidade pode ser "reduzida quase a zero".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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