Cólicas infantis associadas com enxaquecas das mães

Estudo realizado pela University of California

24 fevereiro 2012
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As mulheres que sofrem de enxaqueca têm uma probabilidade maior de ter filhos com cólicas, dá conta um estudo que irá ser apresentado, em Abril, no encontro anual da American Academy of Neurology, em Nova Orleães, EUA.

 

As cólicas e choro excessivo numa criança saudável têm sido associados com problemas gastrointestinais, normalmente causadas por algo que o bebé ingeriu. No entanto, apesar de mais de 50 anos de investigação, ainda não se conseguiu provar, definitivamente, que há uma relação entre as cólicas infantis e os problemas gastrointestinais, pois os bebés alimentados com leite materno são tão propensos a ter cólicos quanto os que são alimentados com leite de fórmula.

 

Este estudo realizado pelos investigadores da University of California, nos EUA, levanta assim a hipótese de as cólicas infantis serem um sintoma precoce das enxaquecas e se a redução da estimulação pode ajudar na diminuição das cólicas, da mesma forma que a redução da exposição à luz e ruido, ajuda a alivar a dor associada às enxaquecas. Isto é muito importante pois o choro excessivo pode despoletar o chamado síndrome do bebé agitado, que pode causar morte, danos cerebrais e atrasos no desenvolvimento, de acordo com os autores do estudo.

 

“Se formos capazes de perceber o que faz os bebés chorarem, seremos capazes de os proteger de efeitos muito perigosos”, revelou em comunicado de imprensa, a principal autora do estudo, Amy Gelfand, neurologista

 

Neste estudo os investigadores contaram com a participação de 154 mães que se apresentaram nas consultas de rotina com os seus filhos até estes terem dois meses de idade, altura em que há uma maior incidência de cólicas infantis. As mães foram convidadas a preencherem questionários sobre os padrões de choro dos filhos e o seu historial de enxaquecas. As respostas foram posteriormente analisadas para se certificarem se o choro estava associado com a definição clínica das cólicas.

 

O estudo revelou que as mães que sofriam de enxaquecas apresentavam uma probabilidade duas vezes maior de terem filhos com cólicas. No total 29% das crianças com mães com enxaquecas tinham cólicas, em comparação com 11% das crianças cujas mães não apresentavam esta condição.

 

Amy Gelfand acredita que as cólicas podem ser uma manifestação precoce de um conjunto de condições conhecidas como síndromes periódicas da infância, que se acredita sejam precursores de enxaqueca mais tarde na vida.

 

Os bebés com cólicas podem ser mais sensíveis aos estímulos do ambiente, assim como as pessoas com enxaqueca. Eles podem ter maior dificuldade em lidar com novos estímulos após o nascimento pois eles vêm de um local escuro, ameno, onde estão protegidos no útero da mãe e vêm para um mundo luminoso, frio, barulhento.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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