Colesterol: identificado marcador que prevê alterações ao longo do envelhecimento

Estudo publicado no “International Journal of Environmental Research and Public Health”

24 novembro 2014
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Investigadores americanos identificaram um gene que pode influenciar os níveis de colesterol desde a meia-idade até uma idade mais avançada, dá conta um estudo publicado no “International Journal of Environmental Research and Public Health”.
 

Sabe-se que os níveis de colesterol aumentam à medida que as pessoas envelhecem e que elevados níveis de colesterol estão associados a um aumento do risco de doença cardiovascular. Contudo, o que ainda é pouco conhecido é o facto de os níveis de colesterol começarem a diminuir quanto mais um indivíduo envelhece.
 

Para este estudo, os investigadores da Universidade do Texas, nos EUA, analisaram amostras de sangue de mais de 590 indivíduos, tendo-se focado no gene específico, o APOE, que codifica proteínas envolvidas na manutenção dos níveis de colesterol.
 

As pessoas apresentam diferentes alelos do gene APOE, incluindo o APOE e2, o APOE e3 e o APOE e4. Este último está associado a um risco aumentado de várias doenças associadas ao envelhecimento, incluindo a doença de Alzheimer e doenças cardiovasculares, como acidente vascular cerebral e doença coronária. Por outro lado, o APOE e2 está associado a um menor risco destas doenças.
 

O estudo apurou que, comparativamente com os indivíduos que apresentam o alelo o APOE e3, os que expressam o APOE e4 estão mais predispostos a ter elevados níveis de colesterol total e baixos níveis de colesterol HDL (o chamado “bom colesterol) desde a meia-idade até a idades mais avançadas. Um achado que pode justificar, em parte,o maior risco de doenças cognitivas e cardiovasculares entre estes últimos indivíduos. Por outro lado, a diminuição do risco destas doenças pode estar associada ao facto de os indivíduos que apresentam o alelo APOE e2 terem níveis menores de colesterol total e maiores de colesterol HDL, ao longo da vida.
 

O estudo apurou ainda que elevados níveis de colesterol nos idosos podem estar associados à longevidade. Verificou-se que os indivíduos que viviam para além dos 90 anos tinham maiores níveis de colesterol na terceira idade, comparativamente com aqueles que não viviam para além dos 80 ou 90 anos.
 

“A relação entre o gene APOE, o colesterol e a longevidade é complexa e é importante continuar a desenvolver estudos nesta área para que os adultos mais velhos saibam gerir adequadamente os níveis de colesterol durante a velhice", revelou, em comunicado de imprensa, Brian Downer.

 

De acordo com os investigadores, pode-se argumentar que poderá ser prejudicial prescrever medicamentos para baixar os níveis colesterol uma vez que níveis baixos de colesterol e um declínio do colesterol estão associados a uma mortalidade aumentada. Contudo, são necessários mais estudos para confirmar se o declínio nos níveis de colesterol desempenham um papel direto na mortalidade ou se este declínio é resultante de alterações que ocorrem durante o período de declínio terminal antes da morte.
 

“Os resultados deste estudo têm implicações importantes na saúde pública. Para modificar eficazmente o colesterol, e, como resultado, o risco de doença, é importante considerar como o alelo APOE influência os níveis de colesterol a partir da meia-idade até uma idade mais avançada”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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