Colesterol HDL afinal é prejudicial?

Estudo publicado na revista “Science”

15 março 2016
  |  Partilhar:
A ideia de que os níveis de colesterol HDL (HDL-C) elevados são benéficos foi questionada por uma equipa internacional de investigadores, dá conta um estudo publicado na revista “Science”.
 
O estudo liderado pelos investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Pensilvânia, nos EUA, demonstrou que o aumento dos níveis de HDL-C resultante de uma determinada causa genética pode ser na realidade “mau”. Uma mutação num gene que codifica uma proteína recetora que se liga ao colesterol HDL impede o recetor de funcionar adequadamente. A mutação causa um aumento do risco de doença cardíaca, mesmo na presença de níveis elevados de HDL-C ou colesterol “bom”. 
 
Estudos anteriores já tinham levantado a possibilidade de que o colesterol HDL pode não ser tão protetor contra a doença cardíaca quanto os cardiologistas acreditavam. “Os nossos resultados indicam que algumas causas do aumento do colesterol HDL incrementam de facto o risco de doença cardíaca”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Daniel J. Rader.
 
Os investigadores sequenciaram regiões modificadoras de lípidos de genomas de 328 indivíduos com níveis de colesterol elevado e baixo com o intuito de identificar as causas genéticas do colesterol elevado. Um dos genes analisados foi o SCARB1, que codifica um dos principais recetores do HDL presente na superfície das células, o SR-B1.  
 
Os investigadores encontraram um indivíduo em que o SCARB1 não estava funcional e verificaram que este tinha níveis extremamente elevados de HDL-C: cerca de 150 mg/dL, enquanto os níveis normais são de 50 mg/dL. O indivíduo tinha duas cópias de uma mutação SCARB1 denominada P376L, que afetava a função do recetor HDL. Verificou-se que as células do fígado produzidas a partir de células estaminais deste indivíduo apresentavam uma grande redução na capacidade de absorver o HDL.
 
O estudo apurou ainda que os indivíduos portadores de uma cópia da mutação SCARB1 P376L tinham níveis significativamente mais elevados de HDL-C. Tendo por base estes resultados, a função do SCARB1 e de estudos prévios em ratinhos, os investigadores suspeitaram que ter a mutação SCARB1 P376L, apesar de aumentar o HDL, poderia paradoxalmente aumentar o risco de doença cardíaca.
 
Conjuntamente com outros cientistas, os investigadores foram capazes de comprovar esta suspeita. “A variante do SCARB1, apesar de rara, é suficientemente frequente para nos permitir questionar sobre o seu efeito no colesterol HDL e na doença cardíaca nos indivíduos com apenas uma cópia da mutação”, referiu o investigador. 
 
Daniel J. Rader sugere que, uma abordagem terapêutica que aumente a expressão ou a atividade do SCARB1 poderia ser uma nova forma de reduzir o risco de doença cardíaca, mesmo que reduza os níveis sanguíneos de colesterol HDL.
 
"Este estudo demonstra que os efeitos protetores do colesterol HDL são mais dependentes da forma como funciona do que da quantidade presente. Ainda temos muito a aprender sobre a relação entre a função do risco de HDL e o risco de doença cardíaca”, concluiu o investigador.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.