Cólera depois da guerra

OMS identifica surto por falta de água potável e saneamento básico

07 maio 2003
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Depois da guerra, a falta de água potável e de saneamento básico é uma constante em todo o Iraque. Em Bassorá, no sul do Iraque, os médicos já identificaram 17 casos de cólera na cidade e dizem que pode haver outras dezenas de doentes, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS) na quarta-feira.
 

 

«O esgoto não está a ser tratado, a recolha de lixo é intermitente ou inexistente, e as pessoas estão a utilizar a água do poluído rio Shatt al Arab», disse a OMS em comunicado.
 

 

No Hospital Universitário Al Tahrir e no Hospital Infantil de Bassorá, os médicos notificaram respectivamente sete e quatro casos de cólera, uma doença altamente contagiosa. Os resultados dos exames que podem confirmar essas notificações saem nos próximos dias.
 

 

A OMS acrescentou que os exames de saúde precisaram ser feitos no vizinho Kuweit, dado que os equipamentos dos próprios hospitais iraquianos foram saqueados durante os tumultos que se seguiram à queda do regime de Saddam Hussein, no mês passado.
 

 

De acordo com a OMS, os médicos avaliam que possam existir até centenas de casos de cólera no sul do Iraque. A distribuição de água potável no país, que já era precária, piorou por causa dos bombardeamentos, sabotagens e saques contra as estações de tratamento.
 

 

O porta-voz da ONU em Bassorá, David Willhurts, disse em entrevista de imprensa que os médicos também estão a registar um aumento nos casos de diarreia, outra doença provocada pela falta de saneamento.
 

 

Segundo a mesma fonte, para combater o problema, o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) contratou camiões para retirar as montanhas de lixo que se acumulam nas calçadas da cidade e representam outro factor de risco.
 

O cólera é uma infecção intestinal aguda. É altamente contagiosa e provoca uma diarreia forte, porém indolor, que pode rapidamente levar à desidratação e, na ausência de tratamento, à morte.
 

 

A maior parte dos pacientes melhora com a administração de sais de re-hidratação. No entanto, os doentes que são atendidos em estados avançados de desidratação precisam de antibióticos e medicamentos intravenosos.
 

 

Entretanto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICR) deverão hoje enviar, segundo a agência France Press, representantes seus para Bassorá, com o objectivo de estudarem in loco os indícios existentes e as medidas para fazer face à ameaça de epidemia.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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