Coelhinha da «Playboy» está mais magra

Modelos não representam padrão biológico saudável, aponta estudo

02 janeiro 2003
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As «coelhinhas» da revista americana «Playboy» estão cada vez mais magras. Pelo menos é o que indica as conclusões de um estudo recente que observou e avaliou cerca de 577 edições da revista, entre dezembro de 1953 a dezembro de 2001.
 

 

Este árduo trabalho de pesquisa, que procurou dados sobre as medidas das mulheres dos pósteres, apresentou resultados bem diferentes dos anteriores. É que, segundo os investigadores, as «coelhinhas» retratadas na tradicional revista masculina estão com o corpo cada vez mais parecido com o corpo dos homens. Isto é, com seios e quadris menores e cinturas maiores.
 

 

O estudo foi feito por Martin Voracek, da Universidade de Viena, Áustria, e Maryanne Fisher, da Universidade York, de Toronto, Canadá, foi publicado na revista médica britânica «British Medical Journal».
 

 

Dois dos índices analisados são utilizados pelos médicos como parâmetros de saúde feminina, o índice de massa corporal (IMC) e a relação cintura/quadril, que tem boa correlação com fertilidade, risco de doenças e longevidade.
 

 

O índice de massa corporal é obtido dividindo o peso em quilos pelo quadrado da altura em metros. Os valores ideais —segundo estudos médicos, correspondem a um IMC de 20 e uma relação cintura/quadril menor que 0,7— não só indicariam boa saúde, como seriam também os mais atractivos sexualmente para os homens.
 

 

De acordo com certas teorias evolutivas, dizem os autores do estudo, esses valores não deveriam mudar com o tempo, pois reflectiriam a melhor combinação em termos de «design» feminino. Mas vários estudos anteriores têm demonstrado a diminuição crescente do IMC nas mulheres mostradas pelos meios de comunicação, principalmente as modelos de moda. E a análise das eleitas pela «Playboy» confirmou essa impressão.
 

 

O gráfico contendo as relações cintura/quadril mostra a progressiva passagem da «cintura generosa» para a do tipo «tábua». Se nos anos 60 era comum um índice de 0,6 (algo como uma cintura de 60 cm e um quadril de 100 cm), depois dos anos 70, os cientistas não encontraram mais nenhum registo semelhante. Numa revista de 2000, houve até um caso de índice 0,8, notaram os investigadores.
 

 

Para entender bem a diferença, basta compararmos as divas dos anos 50, tais como Marilyn Monroe, Brigitte Bardot ou Elizabeth Taylor, que apresentavam padrões considerados ideais pela biologia evolutiva e as modelos actuais. Kate Moss, com 1,71 de altura, chegou a pesar 44 quilos. Apesar de vestirem o 38, Naomi Campbell ou Eva Herzigova são ainda bem magras, se comparadas com o padrão de beleza de há 30 anos.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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