Coçar: porque dá prazer?

Estudo publicado no “Journal of Investigative Dermatology”

18 junho 2015
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Investigadores americanos estão mais perto de perceber por que motivo o ato de coçar evoca sensações de recompensa e prazer em pacientes com prurido crónico, dá conta um estudo publicado no “Journal of Investigative Dermatology”.
 

Através da realização de ressonâncias magnéticas funcionais, os investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Temple, nos EUA, analisaram a atividade cerebral de 10 pacientes com prurido crónico e 10 indivíduos saudáveis enquanto estes se coçavam. Verificou-se que áreas envolvidas no controlo motor e processamento da recompensa estavam mais ativadas nos pacientes com prurido crónico enquanto se coçavam. Esta atividade excessiva pode ajudar a explicar a sensação viciante do coçar para estes pacientes.
 

"O prurido crónico é um sintoma importante de doenças dermatológicas tais como eczema atópico e psoríase e um sintoma incómodo de outras doenças como a doença renal em estadio terminal", referiu, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Hideki Mochizuki.
 

“Apesar de ser, à primeira vista, agradável, o coçar contínuo pode conduzir a um aumento da intensidade do prurido bem como dor e danos permanente da pele. Desta forma é importante compreender a atividade cerebral que pode induzir este comportamento patológico”, acrescentou o investigador.
 

Os investigadores já tinham previamente analisado os mecanismos cerebrais envolvidos no ato de coçar e na sua associação com o prazer, mas apenas em indivíduos saudáveis. Agora neste estudo os investigadores resolveram analisar a atividade cerebral enquanto os pacientes com prurido crónico se coçavam.
 

Os investigadores induziram a sensação de prurido nos antebraços de pacientes com prurido crónico e indivíduos saudáveis. Através da realização de ressonâncias magnéticas funcionais verificou-se que a atividade cerebral dos pacientes com prurido crónico atingiu um pico na área motora suplementar, no córtex pré-motor e córtex motor primário. Todas estas áreas estão associadas ao controlo motor e motivação para agir. Adicionalmente, as áreas do cérebro envolvidas no circuito de recompensa, como o estriado, córtex singulado, núcleo caudado e córtex orbitofrontal foram significativamente mais ativadas do que nos indivíduos saudáveis.
 

“Os nossos resultados podem permitir identificar e aprofundar o conhecimento da rede cerebral que está na base do ciclo do prurido e coçar nos pacientes com prurido crónico. Este conhecimento pode conduzir a novas terapias para estes pacientes”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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