Coçar: por que motivo intensifica a sensação de prurido?

Estudo publicado na revista “Neuron”

04 novembro 2014
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Investigadores americanos descobriram que o ato de coçar faz com que o cérebro liberte serotonina, intensificando a sensação de prurido ou comichão, dá conta um estudo publicado na revista “Neuron”.
 

Há já algumas décadas que a comunidade científica tinha descoberto que a serotonina estava envolvida no controlo da dor. Contudo, esta foi a primeira vez que a libertação deste químico mensageiro foi associado ao prurido.
 

De forma a chegarem as estas conclusões, os investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington, nos EUA, desenvolveram ratinhos geneticamente modicados que não expressam os genes envolvidos na produção da serotonina. Quando estes animais foram injetados com uma substância causadora de prurido, os ratinhos não se coçaram tanto quanto os ratinhos do grupo de controlo. Contudo, quando os animais geneticamente modificados foram injetados com serotonina, tiveram um comportamento semelhante aos outros ratinhos.
 

Segundo os autores do estudo, estes resultados corroboraram a ideia de que o prurido e os sinais de dor são transmitidos através de vias diferentes, mas que estão relacionadas. “Coçar pode aliviar o prurido criando uma pequena dor na pele. No entanto, quando o organismo responde aos sinais de dor, essa resposta pode piorar o prurido”, explicou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Zhou-Feng Che.
 

Apesar da interrupção da libertação de serotonina ter tornado os ratinhos menos sensíveis ao prurido, o investigador refere que não é prático tratar o prurido através deste processo. Na verdade, este neurotransmissor está envolvido no crescimento, envelhecimento, metabolismo ósseo e regulação do humor. Assim, o bloqueio da serotonina poderia ter consequências que afetariam todo o organismo e as pessoas não teriam uma forma natural de controlar a dor.
 

Na opinião do investigador, talvez seja possível interferir com a comunicação entre a serotonina e as células nervosas da espinal medula que transmitem a sensação de prurido. Estas células, conhecidas por neurónios GRPR, estão envolvidas na transmissão dos sinais de prurido da pele ao cérebro. Foi neste contexto que os investigadores isolaram o recetor utilizado pela serotonina para ativar os neurónios GRPR.
 

Os investigadores injetaram nos ratinhos uma substância causadora do prurido e compostos que ativavam vários recetores da serotonina nas células nervosas. Verificou-se que o recetor 5HT1A era a chave da ativação dos neurónios GRPR envolvidos no prurido.
 

Os autores do estudo concluíram assim que o ciclo prurido/dor ocorre segundo uma ordem específica. Primeiro, coçar causa uma sensação de dor, o que faz com que seja libertada mais serotonina para controlá-la. Contudo, este neurotransmissor não inibe apenas a dor. Os resultados sugerem que a serotonina também piora o prurido pela ativação dos neurónios GRPR através dos recetores 5HT1A.
 

Na opinião dos investigadores estes achados poderão ajudar a interromper este ciclo vicioso, particularmente nas pessoas que sofrem de prurido crónico.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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