Cocainómanos podem sofrer danos cardíacos sem apresentarem sintomas

Estudo apresentado na revista “Heart”

24 junho 2011
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O abuso de cocaína pode provocar danos no coração, como miocardite - que pode levar a um enfarte agudo do miocárdio -, muitas vezes sem que a pessoa apresente os sintomas, indica um estudo divulgado na revista “Heart”.

 

No estudo, os investigadores revelam que um em cada cinco viciados em cocaína tem miocardite - inflamação do miocárdio - e acredita-se que um quarto dos enfartes do miocárdio não mortais nas pessoas com menos de 45 anos esteja associado ao consumo de cocaína.

 

De acordo com o artigo publicado, a miocardite, muitas vezes, causa dor no peito e insuficiência cardíaca e pode provocar enfartes do miocárdio fatais e não-fatais.

 

Na investigação, os cientistas quiseram verificar se existiam provas palpáveis de danos cardíacos entre os consumidores de cocaína a longo prazo que não tinham histórico de doenças cardíacas nem sintomas de problemas no coração. Deste modo, avaliaram a saúde de 30 consumidores de longo prazo que tinham sido internados num programa de reabilitação, 48 horas depois de terem usado a droga pela última vez. O grupo era composto por 25 homens, com uma média etária de 37 anos. Um em cada cinco estava infectado ou com o vírus da hepatite C ou com VIH (vírus causador da sida).

 

Mais da metade dos viciados (16) também usava outras substâncias, como opióides, incluindo heroína, e álcool (etanol), e tinha consumido drogas durante uma média de 12 anos, admitindo consumir cerca de 5,5 g de cocaína todos os dias.

 

Os investigadores realizaram uma série de exames para identificar anormalidades na função e estrutura do coração. Os exames incluíram testes sanguíneos para detectar substâncias químicas, electrocardiograma durante 24 horas, testes de esforço e exames de ressonância magnética ao coração.

 

Embora a função cardíaca fosse normal em todos os indivíduos, identificaram anormalidades em 12 e uma alta prevalência de danos estruturais (83%). Quase metade das pessoas avaliadas (47%) apresentava edema do ventrículo inferior esquerdo, facto que foi associado a um maior consumo de cocaína. A ressonância magnética ao coração também mostrou danos no tecido (fibrose) em 73% dos toxicodependentes, possivelmente, como resultado de um enfarte do miocárdio silencioso ou dano tóxico.

 

O edema é sinal de um dano recente e reversível, mas o mesmo já não ocorre com a fibrose. Os autores referem que a infecção viral e o abuso de múltiplas drogas poderiam ter contribuído para o tipo de dano cardíaco detectado, mas que não explica todos os casos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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