Cobaias humanas

A investigação médica é segura para os voluntários? Depois de uma morte nos EUA a questão é relevante.

23 julho 2001
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Não contando com as milhares de experiências clandestinas e ilegais efectuadas em humanos e que, com certeza, ainda acontecem (experiências como as efectuadas aos judeus no Holocausto e outras que vieram a público recentemente ocorridas nos EUA umas décadas atrás), todos os dias são efectuadas, só nos Estados Unidos, milhares de investigações médicas em centenas de milhares de voluntários.
 

 

A morte recente de uma rapariga de 24 anos, Ellen Roche, uma voluntária num estudo clínico sobre asma num hospital norte-americano, o Johns Hopkins, que já aceitou toda a responsabilidade pelo sucedido, levou as autoridades nacionais a suspenderem novas investigação em humanos naquele estabelecimento e levanta questões de segurança destas investigações a nível mundial. Este hospital é a instituição que mais fundos recebe do governo para investigação médica.
 

 

Segundo o Washington Post, Ellen Roche começou a sofrer de tosse, falta de ar e dores quase imediatamente após ter inalado hexametonio, num estudo contra a asma que era considerado de baixo risco.
 

 

Em 1999 morreu outro jovem de 18 anos, Jesse Gelsinger, na Universidade de Pensilvania, quatro dias após ter sido injectado com um medicamento genético destinado a corrigir uma doença hepática.
 

 

O sistema nos Estados Unidos prevê uma série de directivas que têm que ser seguidas para garantir a segurança dos voluntários. Mas muitas vezes estas não são cumpridas.
 

 

A fiscalização deste processo é muito deficiente, como afirma um relatório governamental daquele país de há 3 anos atrás. O sistema responsável pela segurança de voluntários participantes numa investigação médica é local, isto é, há uma comissão com esta função em cada instituto ou hospital que realiza as investigações.
 

 

As funções destas comissões incluem a aprovação e monitorização dos estudos, a avaliação dos prós e contras do mesmo e ainda certificar-se de que os voluntários estão bem informados do que se está a passar.
 

 

Numa entrevista, um especialista em ética norte-americano diz que "estas comissões, antigamente, só tinham que fiscalizar uma mão cheia de investigações enquanto que agora são centenas ou milhares por ano".
 

 

A cadeia de notícias ABC apresenta ainda declarações de Dawanna Robertson que tem um caso em tribunal contra uma equipa de investigação para a qual serviu de voluntária para uma vacina contra o cancro enquanto estava grávida. Após terem sido violadas 40 vezes as normas de segurança a investigação parou.
 

 

Robertson diz, referindo-se ao líder da equipa de investigação, que "ele tirou toda a confiança que eu tinha, e nunca respondia a nenhuma das questões que eu lhe colocava. Ele pôs o meu bebé em risco. E mentiu-me acerca disso".
 

 

Os especialistas afirmam que a recente morte no hospital Johns Hopkins foi um alerta e que as instituições têm que se esforçar mais para salvaguardarem a segurança dos seus pacientes.
 

 

Fonte: ABC News e Washigton Post

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