CMV: descoberta possível janela de tratamento

Estudo publicado na revista “PLoS Genetics”

04 novembro 2013
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Investigadores americanos e suíços descobriram que apesar do citomegalovírus (CMV) evoluir rapidamente e dramaticamente no organismo humano, há uma possível janela para o tratamento desta infeção, sugere um estudo publicado na revista “PLoS Genetics”.
 

O CMV é um vírus que infeta a maioria da população humana, sendo capaz de se mover no organismo de órgão em órgão. A infeção é habitualmente assintomática nos indivíduos saudáveis, mas pode causar sintomas severos nos indivíduos com um sistema imune comprometido, como aqueles sujeitos a transplante de órgãos, infetados com VIH, recém-nascidos ou fetos.
 

A infeção por CMV congénita, que é transmitida pela mãe ao feto, é a responsável por malformações congénitas, como perda de audição e atraso neurológico. Assim, continua a ser prioritário o desenvolvimento de vacinas.
 

De forma a perceber como esta infeção evolui nos fetos e recém-nascidos, durante uma infeção congénita sintomática, os investigadores da Universidade de Massachusetts, nos EUA, e da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, colheram, ao longo dos primeiros cinco meses de vida, amostras de sangue e de urina de crianças congenitamente infetadas.  
 

Através da utilização da sequenciação de ADN de última geração, os investigadores foram capazes de estudar a diversidade e as alterações que ocorriam nas sequências do ADN do vírus ao longo do tempo e entre os órgãos. O estudo apurou que havia diferenças dramáticas nas sequências do vírus recolhidos do plasma e da urina da mesma criança.
 

De acordo com os investigadores, estes resultados sugerem que o CMV é capaz de evoluir rapidamente, uma vez que as diferenças entre as sequências do plasma e urina ocorreram num curto espaço de tempo, entre a infeção uterina e o primeiro ano de nascimento.
 

Com um auxílio de um modelo matemático, o estudo apurou que o início da infeção fetal ocorria entre as 13 e as 18 semanas de gestação, enquanto a disseminação do vírus do plasma para os rins acontecia 11 semanas mais tarde. “Este momento poderá fornecer uma importante janela para o tratamento do CMV, quando ele está mais vulnerável e antes de evoluir e se de disseminar”, explicou, um dos investigadores, Timothy F. Kowalik.
 

O conhecimento de como o CMV se adapta e evolui após a infeção poderá fornecer potenciais alvos de tratamento. “Este trabalho mostra que a infeção por CMV se dissemina durante uma janela de tempo relativamente pequena durante a gestação, sugerindo uma oportunidade para a utilização de tratamentos preventivos. Adicionalmente, o atraso entre a infeção inicial do feto e a disseminação para os rins, pode fornecer uma oportunidade para bloquear a disseminação do vírus no organismo, impedindo consequentemente os sintomas de infeção”, conclui o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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