Clone humano será filho de magnata árabe

Comunidade médica repudia experiência

08 abril 2002
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O médico italiano Severino Antinori surpreendeu o mundo, na semana passada, quando declarou, frente à comunicação social, que uma mulher estaria grávida de oito semanas de um clone humano. A criança clonada pelo geneticista será a cópia de um milionário árabe, segundo revela uma notícia avançada pelo jornal britânico Daily Telegraph.
 

 

Severino Antinori terá confidenciado a informação a um amigo italiano de nome Giancarlo Calzolari, jornalista de ciência no diário italiano Il Tempo.
 

De acordo com Calzolari, o médico telefonou para o jornal e contou ao jornalista que as experiências de clonagem estão a decorrer num país árabe e que o clone é de uma pessoa "importante e rica".
 

 

Em entrevista à revista Scientific American deste mês, Antinori afirmou ter "a técnica para fazer tudo correctamente" em clonagem humana. Segundo o médico, o embrião foi obtido através de 20 células diferentes, o que lhe confere maiores garantias de vingar até ao nascimento, bem como de não apresentar algumas das más-formações genéticas mais frequentes nestes casos ocorridas em outras experiências com animais.
 

Mesmo assim, o médico está ameaçado de perder a carteira profissional na Itália, caso prossiga com as experiências.
 

 

Contestação mundial
 

 

Durante um congresso científico realizado na semana passada nos Emirados Árabes Unidos, Antinori informou o mundo da existência de uma mulher grávida de oito semanas através dos novos processos de clonagem. Sem identificar a mulher em causa, o jornal árabe Gulf News deu eco à notícia.
 

Dias mais tarde, em entrevista ao mesmo jornal, o geneticista italiano recusou-se a confirmar ou desmentir a afirmação, afirmando que a ciência tem "necessidade de silêncio".
 

 

Mesmo que a gravidez não prossiga ou seja desmentida, a comunidade médica não tardou a reagir à notícia. Enquanto alguns duvidam ainda da possível gravidez, muitos especialistas dizem-se em choque.
 

 

Ehad Kelada, director clínico do Centro de Fertilidade de Londres, lançou um aviso a Antinori: «Deve esclarecer esta informação imediatamente». Mas, na verdade, até ao momento parece não existirem mecanismos legais que possam impedir um cientista de desenvolver determinada prática menos ética. A legislação da clonagem está dependente de cada país. E é por isso que Antinori não teme.
 

 

"Se esta notícia for verdadeira, é chocante. Não sabemos o quanto a clonagem é segura para os humanos e é muito perigoso entrar neste caminho sem regulamentações adequadas ou linhas de direcção", alertou Ehad Kelada em declarações à imprensa internacional.
 

 

Rudolf Jaenisch, professor de biologia e especialista em clonagem no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, mostrou-se muito céptico em relação às notícias. Para o reputado cientista da área, a comunidade científica não têm nenhuma forma para verificar se o suposto bebé – nascido através de clonagem - é um clone ou uma criança normal.
 

 

"Não acredito que estejam a dizer a verdade (referindo-se às alegações de Antinor). É totalmente escandaloso e irresponsável tentar clonar humanos quando sabemos que há uma alta probabilidade de anomalias severas, mesmo que o bebé sobreviva ao nascimento. Na verdade, a morte antes do nascimento seria o melhor resultado".
 

 

Apesar de todas as dúvidas e reprovações, alguns cientistas acreditam que depois de ultrapassadas as dificuldades técnicas, a clonagem seja uma possibilidade para ajudar milhares de casais inférteis.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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