Clonagem terapêutica ganha apoios nos Estados Unidos
06 maio 2002
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Cientistas europeus e norte-americanos apoiaram os projectos de lei que proíbem a clonagem humana mas autorizam esta prática para fins médicos, defendendo que uma interdição total afectaria milhares de vidas.
 

 

Enquanto o Senado dos Estados Unidos se prepara para abordar o delicado tema da clonagem e da utilização das células estaminais embrionárias para a investigação, os vários projectos apresentados recebem apoios de várias frentes.
 

 

O mais recente foi o de Paul Berg, o bioquímico da Universidade de Stanford que ganhou o prémio Nobel pelas suas investigações sobre o ADN (ácido desoxirribonucleico) recombinante.
 

 

Berg, a quem foi ordenado que parasse as suas investigações, decidiu fazer campanha para que a Câmara alta dos EUA não proíba a clonagem com fins científicos.
 

 

A revista New England Journal of Medicine antecipou na sua edição de hoje a publicação de três artigos de cientistas de renome, que reflectem sobre a clonagem e as suas implicações científicas e morais.
 

 

Uma dessas vozes, Irving Weissman, ex-presidente da Academia Nacional dos EUA, afirmou que a procura de caminhos que conduzam as investigações à descoberta de novas terapias médicas pode afectar milhares de vidas.
 

 

O especialista norte-americano acrescentou, contudo, que o debate se complicou por medo de que as técnicas de transplante nuclear possam ser utilizadas para clonar um ser humano.
 

 

Cientistas, políticos e opinião pública em geral concordam que a clonagem de seres humanos deve ser proibida, mas esta interdição poderá arrastar consigo o veto à clonagem celular.
 

 

Após a descoberta das chamadas células mãe (ou estaminais) embrionárias em 1998, os cientistas verificaram que estas podiam ser clonadas com o material genético de um doente de forma a obter novos tecidos totalmente compatíveis com cada pessoa.
 

 

A técnica, se se cumprirem as expectativas previstas, poderá servir para tratar dezenas de doenças graves, como as de Parkinson, Alzheimer, diabetes ou alguns tipos de cancro.
 

 

O problema coloca-se porque esta técnica utiliza embriões humanos que têm de ser destruídos durante o processo e, em teoria, esses mesmos embriões poderiam ser clonados para dar origem a uma pessoa.
 

 

Kathinka Evers, uma cientista norueguesa membro do Comité de Ética e Responsabilidades da Ciência, afirmou que o problema se complica quando vários países europeus já aceitaram a investigação com células embrionárias e a clonagem terapêutica.
 

 

Se os Estados Unidos proibirem esta prática de forma total, defendeu, os seus cientistas perderão a vantagem que possuem neste campo e colocar-se-ia o paradoxo de saber se seria legal doentes norte-americanos deslocarem-se a outros países para receber tratamentos médicos baseados em técnicas de clonagem.
 

 

Fonte: Lusa

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