Clonagem proibida nos EUA

Proibição votada pela Câmara dos Representantes

02 março 2003
  |  Partilhar:

A Câmara dos Representantes norte-americana aprovou, com 241 votos a favor e 155 contra, um projecto de lei proibindo todo o tipo de clonagem humana, uma questão polémica que divide opiniões também em Portugal.
 

 

A medida, promovida pelos legisladores Dave Weldon, um republicano eleito pela Flórida, e Bart Stupak, democrata pelo Michigan, penaliza a clonagem para fins reprodutivos ou terapêuticos, impondo uma pena de dez anos de prisão e uma multa de um milhão de dólares (aproximadamente o mesmo valor em euros) para os prevaricadores.
 

 

O projecto de lei foi aprovado quinta-feira após uma jornada marcada por acaloradas discussões entre legisladores que se opõem totalmente a esta prática por questões éticas e morais, e outros que defendem a clonagem terapêutica no âmbito de investigações visando uma abordagem terapêutica para várias doenças crónicas.
 

 

A medida passa agora ao Senado, onde conta já com mais de duas dezenas de partidários.
 

 

Em Portugal, arrancou em finais de Janeiro o processo que irá conduzir à aprovação de legislação sobre o estatuto do embrião excedentário e que irá resultar em proposta de lei a apresentar à Assembleia da República.
 

 

Ainda durante a actual sessão legislativa, o Governo deverá aprovar legislação definindo o estatuto do embrião excedentário (resultante do processo de procriação medicamente assistida), autorizando ou não a sua utilização em investigação científica.
 

 

Proibida deverá ficar a criação de embriões apenas para investigação científica, assim como a utilização da técnica de transferência nuclear (clonagem) para reprodução de seres humanos, questão sobre a qual existe largo consenso mundial.
 

 

Segundo Daniel Serrão, investigador que conduz o processo e prepara um relatório sobre a questão para apoiar o executivo nesta matéria, difícil será decidir "qual o estatuto a conceder ao embrião que surge durante o processo de procriação medicamente assistida, e que, por qualquer razão, é excedentário".
 

 

Para o investigador, nenhuma solução é inteiramente boa se causar a destruição do embrião. No entanto, defende, a ser sacrificado, o embrião deverá "contribuir para o benefício de outros seres humanos".
 

 

Do outro lado do Atlântico, o presidente norte-americano George W. Bush disse que vai vetar qualquer projecto de lei que permita a clonagem humana, por considerar que os problemas éticos e morais levantados por esta prática não podem ser ignorados em nome de novas descobertas científicas.
 

 

Um projecto semelhante foi aprovado no ano passado na mesma Câmara baixa, mas foi travado pelo Senado.
 

 

A votação da Câmara baixa representa uma importante vitória para os grupos religiosos e anti-aborto, contrários à clonagem por considerarem que a vida começa desde a primeira divisão de células.
 

 

A medida "previne o que seria a criação de culturas de embriões humanos nos EUA" e que o homem seja transformado em mercadoria, manifestou Ken Connor, presidente do Conselho de Investigação Familiar (FRC), opositor da clonagem, através de comunicado.
 

 

Grande parte da comunidade científica, apoiada por grupos que defendem os direitos dos pacientes, consideram a medida um grande obstáculo à investigação com as células mãe, capazes de gerar qualquer tecido ou órgão do corpo humano.
 

 

O assunto põe frente a frente a Casa Branca e a maioria dos republicanos, opositores da clonagem, e muitos democratas e grupos científicos que vêm benefícios na clonagem para curar doenças crónicas.
 

 

Uma divisão politizada de opiniões que se repete um pouco por todo o mundo onde a questão é discutida.
 

 

Mário Sousa, da Unidade Multidisciplinar Biomédica do Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar da Universidade do Porto, defendeu recentemente em declarações à Agência Lusa a investigação no domínio da clonagem terapêutica.
 

 

O cientista considera que "apesar de ainda não poder ser aplicada em humanos, (as células estaminais retiradas dos embriões ainda têm muitos defeitos) a clonagem com fins terapêuticos deve continuar a ser investigada".
 

 

Investigando e melhorando a tecnologia, o cientista considera possível chegar a um ponto onde se retiraria uma célula de um adulto doente para criar um embrião clone, que serviria como fonte de células estaminais para transplantes, dada a sua capacidade de se transformarem em qualquer órgão, sem problemas de rejeição.
 

 

"Para isso bastaria um embrião no 5/o dia de cultivo, onde existem 100 a 150 células mãe que depois de dissociadas seriam obrigadas a dividirem-se outra vez, e outra vez até termos as desejadas", disse.
 

 

Sobre a eticidade desta prática, o investigador considera que "o embrião só passa a funcionar como unidade depois de ser implantado no útero, antes disso é uma simples amálgama de células estaminais".
 

 

Fonte: Lusa

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.