Clonagem Humana : Um passo em frente, aumentam esperanças terapêuticas
26 novembro 2001
  |  Partilhar:

Um primeiro passo para a clonagem de embriões humanos, visando produzir células estaminais destinadas a tratar doenças incuráveis, foi dado domingo nos Estados Unidos quando investigadores anunciaram ter conseguido produzir embriões com património genético modificado.
 

 

Os investigadores da empresa Advanced Cells Technology (ACT) afirmam ter conseguido transferir o núcleo de uma célula para óvulos (ou ovocitos) anteriormente retirados de mulheres que deram o seu acordo para esta investigação, produzindo os primeiros embriões humanos clonados conhecidos no mundo.
 

 

Os investigadores conseguiram o desenvolvimento celular do embrião «até à fase de seis células», escrevem, num estudo que publica hoje a revista norte-americana Journal of Regenerative Medicine.
 

 

Vozes contra este avanço médico fizeram-se já ouvir, com, por um lado, o Vaticano, que considera que «um embrião é um indivíduo», a reafirmar que «a clonagem é um acto abusivo e moralmente censurável», e, por outro, a administração de George W.
 

 

Bush a recordar que o presidente se opõe «a 100 por cento» à clonagem humana.
 

 

Os investigadores, contudo, reafirmam as boas intenções dos seus trabalhos, indicando que visam unicamente fins terapêuticos, que poderão levar ao tratamento de uma vasta série de doenças até aqui incuráveis.
 

 

«Os nossos resultados preliminares dão peso à teoria segundo a qual a reprogramação das células humanas é possível», afirmou o vice-presidente da ACT, José Cinelli, que dirigiu a investigação.
 

 

Os investigadores conseguiram fabricar as primeiras células estaminais embrionárias clonadas, um passo muito importante para a clonagem com fins terapêuticos.
 

 

Estas células estaminais são de facto susceptíveis de ser cultivadas para formar todos os tecidos celulares que compõem o organismo humano, abrindo caminho à medicina regenerativa para tratar por enxerto de células as afecções neuro-degenerativas, cardíacas, hepáticas ou diabéticas.
 

 

Respondendo por antecipação aos opositores da clonagem terapêutica, os investigadores da ACT sublinham que as colónias de células estaminais que existem actualmente em laboratório em todo o mundo são «de pouca utilidade para o tratamento de doenças através de transplantação, pois seriam rejeitadas pelo paciente».
 

 

Por outro lado, «cientificamente, biologicamente, as entidades que fabricamos não são indivíduos. Não passam de vida celular, não são vida humana», defendeu-se o director-geral da ACT, Michael West, interrogado pela cadeia de televisão norte-americana NBC.
 

 

«Após vários meses de tentativas, em 13 de Outubro de 2001, descobrimos sob o nosso microscópio os primeiros embriões humanos produzidos utilizando a técnica da transplantação nuclear, também conhecida como clonagem», referem os investigadores no artigo publicado hoje pela revista Scientific American.
 

 

Para além da clonagem, por transferência do núcleo de uma célula para um óvulo desnucleado, os investigadores utilizaram a técnica da partenogenese, permitindo desenvolver um embrião a partir de um óvulo virgem.
 

 

Afirmam ter conseguido produzir blastocitos com património genético modificado. O blastocito é um embrião com entre cinco e 10 dias.
 

 

Os investigadores precisam no relato da sua investigação ter activado 22 óvulos humanos por partenogenese e realizado uma transferência de núcleos para 17 ovocitos. Desenvolveram-se três embriões assim criados, atingindo até seis células.
 

 

O presidente George W. Bush proibiu, em Agosto último, qualquer financiamento público à investigação sobre as células estaminais, para além das investigações sobre colónias de células estaminais já existentes em laboratório.
 

 

Contudo, as investigações privadas não foram ainda afectadas por esta decisão.
 

Fonte: Lusa

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.