Citrinos podem impedir doenças associadas à obesidade

Estudo da Universidade Estadual Paulista

24 agosto 2016
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As laranjas e outros citrinos que contêm vitaminas e outras substâncias, como os antioxidantes, podem ajudar a impedir os efeitos prejudiciais da obesidade, dá conta um estudo apresentado no 252º Reunião e Exposição Nacional da Sociedade Química Americana.
 

A obesidade aumenta o risco de desenvolver doenças cardíacas, do fígado e diabetes, provavelmente devido ao stress oxidativo e inflamação. Quando os humanos consomem uma dieta com elevado teor de gordura, esta acumula-se no organismo. As células de gordura ou adipócitos produzem espécies reativas de oxigénio que podem danificar as células através de um processo conhecido por stress oxidativo. Habitualmente o organismo é capaz de combater estas moléculas com antioxidantes. No entanto, os indivíduos obesos têm hepatócitos aumentados, que podem conduzir a níveis ainda mais elevados de espécies reativas de oxigénio que destroem a capacidade do organismo de as neutralizar.
 

Por outro lado, os citrinos têm quantidades elevadas de antioxidantes de uma classe denominada por flavanonas. Estudos in vitro e in vivo anteriores já tinham associado as flavanonas dos citrinos a uma diminuição do stress oxidativo. Neste estudo, os investigadores da Universidade Estadual Paulista, no Brasil, decidiram averiguar os efeitos das flavanonas dos citrinos em ratinhos sem modificações genéticas e alimentados com uma dieta com elevado teor de gordura.
 

No estudo, 50 ratinhos foram tratados com flavanonas encontradas nas laranjas, limas e limões, tendo os investigadores se focado especificamente na hesperidina, eriocitrina e eriodictiol. Ao longo de um mês, os animais foram aleatoriamente alimentados com uma dieta normal, com uma dieta com elevado teor de gordura, com uma dieta com elevado teor de gordura e hesperidina, com uma dieta com elevado teor de gordura e eriocitrina ou com uma dieta com elevado teor de gordura e eriodictiol.
 

O estudo apurou que a dieta rica em gordura sem flavanonas aumentou os níveis de marcadores de danos celulares denominados substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico (TBARS, sigla em inglês) em 80% no sangue e 57% no fígado, comparativamente com os ratinhos alimentados com a dieta controlo. Contudo, a presença de hesperidina, eriocitrina e eriodictiol diminuiu os níveis de TBARS no fígado em 50, 57 e 64%, respetivamente, comparativamente com animais que não ingeriram flavanonas.
 

Os investigadores também constataram que a eriocitrina e o eriodictiol diminuem os níveis destas substâncias no sangue em cerca de 48 e 47%, respetivamente. Verificou-se que os ratinhos tratados com hesperidina e eriodictiol apresentavam uma menor acumulação de gordura e danos no fígado.
 

Thais B. Cesar, a líder do estudo, referiu que apesar das flavanonas não terem ajudado os animais a perderem peso, tornou-os mais saudáveis com níveis mais baixos de stress oxidativo, danos hepáticos, níveis mais baixos de lípidos e de glucose no sangue.
 

Uma outra autora do estudo, Paula S. Ferreira, referiu que este estudo também sugere que o consumo de citrinos pode ter também um efeito benéfico nos indivíduos que não são obesos, mas que ingerem dietas ricas em gorduras, tonando-os mais suscetíveis a desenvolver doença cardiovascular, resistência à insulina e obesidade abdominal.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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