Cirurgiões faziam operações complexas na Idade Média

Arqueólogos baseiam-se em análise de esqueleto inglês

24 novembro 2004
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  Um esqueleto encontrado em Yorkshire, na Inglaterra, e datado de entre os anos 960 e 1100, é a prova mais recente de que já se faziam operações delicadas ao cérebro na Idade Média. O crânio de um agricultor de 40 anos, que terá vivido entre os anos 960 e 1100, é a prova mais concreta da prática desse tipo de cirurgia, segundo os arqueólogos que encontraram a ossada. Os despojos, encontrados em Yorkshire, na Inglaterra, mostram que o paciente sobreviveu a um golpe fatal na cabeça graças à cirurgia. O crânio submetido a uma cirurgia tinha sido golpeado com uma arma, o que causou uma fractura grave no lado esquerdo. Uma área rectangular do crânio, com nove centímetros de largura, foi cuidadosamente levantada na cirurgia que se seguiu, para permitir que os fragmentos dos ossos que se introduziram na fractura fossem removidos. Este procedimento teria aliviado a pressão no cérebro. O crânio do agricultor de Yorkshire mostra que a fractura estava a recuperar bem. Mas os cientistas acreditam que o buraco remanescente teria, eventualmente, sido coberto com o desenvolvimento de tecido apropriado. No entanto, têm dúvidas sobre como o agricultor teria conseguido pagar por este complexo tratamento médico. Simon Mays, biólogo do Património da Inglaterra, disse que os tratamentos médicos eram reservados principalmente à elite. «Parece provável que a operação foi realizada por um curandeiro itinerante com habilidades pouco comuns, cujos conhecimentos foram passados através de tradição oral», disse Mays.Documentos gregos e romanos mencionavam a técnica cirúrgica para o tratamento de fracturas, mas, até ao momento, nada tinha sido encontrado sobre o assunto na literatura anglo-saxónica.Alguns historiadores acreditam que a Europa ocidental foi privada de tais conhecimentos durante vários séculos após a queda de Alexandria, no Egipto, no século XVII.Quase 700 esqueletos foram encontrados por arqueólogos no vilarejo de Wharram Percy, no interior da Grã-Bretanha. Exames de outras ossadas no sítio arqueológico revelaram a existência de alto grau de desnutrição, doenças e crescimento prejudicado. No passado, Wharram Percy foi uma comunidade activa que cresceu com quintas de gado ovino, mas entrou em rápido declínio depois da «peste negra» e acabou completamente abandonada. Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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