Cirurgias preventivas associadas a menor risco de cancro da mama e ovários

Estudo publicado no “Journal of the American Medical Association”

05 setembro 2010
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As mulheres com mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2, que aumentam o risco de desenvolver cancro do ovário e da mama, podem viver mais e reduzir o risco de desenvolvimento destes dois tipos de cancro se forem submetidas a cirurgias preventivas, sugere um estudo publicado no “Journal of the American Medical Association”.

 

De acordo com os autores do estudo, liderados por Susan M. Domchek, as mulheres com mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2 apresentam um risco de desenvolvimento de cancro da mama entre os 56 a 84%. Por outro lado, o risco de cancro do ovário varia entre 36 a 63% para as portadoras da mutação no gene BRCA1 e entre 10 a 27% para as portadoras da mutação no gene BRCA2. Em contrapartida, o risco de cancro da mama e do ovário para as mulheres sem estas mutações é de cerca de 12% e inferior a 2%, respectivamente.

 

Para este estudo, os investigadores da University of Pennsylvania School of Medicine, em Filadélfia, EUA, contaram com a participação de 2500 mulheres portadoras de mutações nestes genes. Cerca de metade das participantes foi submetida, entre 1974 e 2008, a mastectomia (remoção as mamas) ou salpingo-ooforectomia (remoção dos ovários e das trompas de Falópio) a fim de proactivamente reduzirem o risco de cancro.

 

O estudo revelou que, durante o período de acompanhamento que teve uma duração média de 3,5 anos, nenhuma das mulheres que foram submetidas a mastectomia desenvolveu cancro da mama, enquanto 7% das mulheres que não foram submetidas ao mesmo procedimento foram diagnosticadas com este tipo de cancro.

 

Os investigadores constataram ainda que, durante os seis anos do período de acompanhamento, não houve casos de cancro do ovário nas mulheres portadoras da mutação no gene BRCA2 e que foram submetidas a salpingo-ooforectomia. No entanto, 3% das mulheres que não foram submetidas a este procedimento e que apresentam a mesma mutação foram diagnosticadas com este tipo de cancro.

 

Na opinião dos autores do estudo, apesar de este tipo de cirurgias serem traumáticas, pois implicam a remoção dos órgãos antes dos sinais de cancro terem aparecido, estas reduzem o risco de as mulheres morrerem de cancro da mama e do ovário em cerca de 70 a 80%.

 

Em comunicado enviado à imprensa, a co-autora do estudo Virginia Kaklamani conclui que "estes resultados enfatizam o quão importante é para todas as mulheres com história familiar de cancro da mama ou do ovário se submeterem a testes genéticos".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A
 

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