Cirurgia do pé boto: estudo evidencia limitações na correção da marcha

Estudo das universidades do Porto e de Bragança

25 janeiro 2017
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A cirurgia corretiva do pé boto, uma deformidade congénita que afeta recém-nascidos, pode causar uma transferência de carga para o pé contra lateral, alterando a sua marcha, refere um estudo de investigadores do Porto e de Bragança.
 

"Até há pouco tempo pensava-se que o pé contra lateral [oposto ao operado] tinha um comportamento de membro saudável", tendo este trabalho demonstrado que as crianças submetidas a tratamentos cirúrgicos desenvolveram uma estratégia de marcha "singular para compensação do membro patológico", explicou à agência Lusa a investigadora Andreia Flores.
 

O estudo apurou também que estas crianças apresentam maior instabilidade de movimentos nos membros inferiores afetados e maior rigidez nas articulações do joelho e do tornozelo por parte do membro operado.
 

O estudo, denominado "Análise da marcha em crianças com tratamento cirúrgico do pé boto", pretendeu analisar a marcha de crianças submetidas a este tipo de procedimento, que era recomendado há cerca de duas décadas.
 

O estudo focou-se na região mais crítica (articulações do pé), onde foram analisadas as forças de reação do solo e os ângulos da articulação e registada a ativação muscular de alguns músculos da perna, recorrendo à eletromiografia.
 

O projeto surgiu de uma colaboração entre o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), o Laboratório de Biomecânica da Universidade do Porto (LABIOMEP) e o serviço de Ortopedia Pediátrica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), tendo os dados sido obtidos através de avaliações a crianças com o pé boto, tratadas e seguidas no Hospital de São João.
 

As crianças com esta patologia apresentam alterações anatómicas diversas, como um menor comprimento dos tendões do pé e da perna e um incorreto posicionamento do pé, podendo este encontrar-se parcialmente ou totalmente rodado, por exemplo.
 

As causas da patologia "não são completamente conhecidas" mas acredita-se que estejam relacionadas com fatores ambientais, deficiências vasculares, posicionamento do embrião no útero, inserções musculares anormais bem como fatores genéticos, sendo esta última a mais aceite.
 

Segundo a investigadora, o tratamento atualmente realizado não recorre necessariamente à cirurgia, podendo ser substituído pelo método de Ponseti, que consiste numa técnica de manipulação em gesso, colocado até à base da coxa. A cirurgia corretiva tem como principal desvantagem induzir a pés muito rígidos e deformados, que prejudicam a eficiência da marcha.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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