Cirurgia de substituição do joelho e anca pode afetar coração

Estudo publicado na revista “Arthritis & Rheumatology”

02 setembro 2015
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Os pacientes com osteoartrite que são submetidos a uma cirurgia para substituição do joelho ou anca, conhecida por artroplastia, têm um risco aumentado de enfarte agudo do miocárdio no período pós-operatório, dá conta um estudo publicado na revista “Arthritis & Rheumatology”.
 

O estudo realizado pelos investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Boston, nos EUA, refere que apesar de o risco de enfarte agudo do miocárdio não persistir ao longo do tempo, o risco de tromboembolismo venoso permanece anos após o procedimento.
 

A osteoartrite, a forma mais comum de artrite, afeta habitualmente as articulações da mão, coluna, anca, joelhos e dedos grandes dos pés. Os sintomas principais desta doença são rigidez, dor e dificuldade em movimentar as articulações afetadas. Apesar de estes sintomas poderem ser, para a maioria dos pacientes, tratados através de métodos não invasivos, tais como controlo de peso, fisioterapia e medicação, os casos mais graves podem necessitar da substituição da articulação.
 

“Apesar de alguns estudos terem demonstrado que a cirurgia de substituição das articulações melhora a dor, o funcionamento e qualidade de vida dos pacientes com osteoartrite, o impacto na saúde cardiovascular ainda não tinha sido confirmado”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Yuqing Zhang.
 

Neste estudo os investigadores contaram com a participação de 13.849 pacientes que tinham sido submetidos a uma cirurgia da substituição total do joelho e 13.849 indivíduos saudáveis. Os pacientes tinham 50 ou mais anos de idade e tinham sido diagnosticados com osteoartrite do joelho ou anca entre janeiro de 2000 e dezembro de 2012.
 

O estudo apurou que 306 pacientes submetidos à artroplastia e 286 incluídos no grupo de controlo tiveram um enfarte agudo do miocárdio ao longo de uma média de 4,2 anos do período de acompanhamento.
 

Os investigadores constataram que o risco de enfarte agudo do miocárdio era significativamente maior no primeiro mês após a operação. Contudo, verificou-se que este risco tendia a diminuir ao longo do tempo. Os investigadores apuraram ainda que os pacientes submetidos à cirurgia tinham um risco maior de tromboembolismo venoso, comparativamente com os indivíduos incluídos no grupo de controlo, anos após o procedimento.
 

“Os nossos achados fornecem a primeira evidência, de base populacional, que os pacientes com osteoartrite que são submetidos a uma cirurgia de substituição total do joelho ou anca estão em maior risco de enfarte agudo do miocárdio no período pós-operatório imediato. O risco de enfarte agudo do miocárdio a longo prazo é insignificante, mas o risco de formação de coágulos sanguíneos no pulmão permaneceu anos após a cirurgia”, conclui Yuqing Zhang.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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