Cirurgia da anca: nova forma de prever tempo de recuperação

Estudo publicado na revista “Anesthesiology”

20 novembro 2015
  |  Partilhar:
O comportamento de um tipo de leucócitos pode indicar como será a recuperação dos pacientes submetidos à cirurgia da anca, sugere um estudo publicado na revista “Anesthesiology”.
 
“Algumas pessoas sentem-se bem após alguns dias, algumas permanecem na cama durante um mês e não sabemos por que motivo”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Gabriela Fragiadakis.
 
Os investigadores da Universidade de Stanford, nos EUA, descobriram que o comportamento dos monócitos, o maior tipo de leucócitos, antes da cirurgia estava associado à duração da recuperação dos pacientes. Com base no comportamento destas células era possível prever cerca de 50% da variação do tempo de recuperação dos pacientes. Estudos anteriores já tinham constatado que o estado mental do paciente ou o número de células imunológicas no local da ferida poderia prever apenas cerca de 10% da variação do tempo de recuperação.
 
De acordo com os investigadores, conhecer os tempos de recuperação irá ajudar os pacientes a planearem melhor o seu regresso ao trabalho e compromissos após cirurgia. Para os pacientes com um risco elevado de tempos de recuperação longos, os médicos poderiam programar terapia física adicional ou cuidados especiais.
 
Os monócitos são das primeiras células do sistema imunológico a responderem a uma chamada de socorro das células danificadas, a eliminarem um agente patogénico invasor ou a detetarem um corte de um bisturi. Quando os monócitos chegam ao local eliminam o chamado “lixo” celular e iniciam a cicatrização das feridas. Mas uma resposta precoce dos monócitos não é necessariamente melhor, uma vez que pode afetar a capacidade de detetarem a localização da ferida e atrasarem o processo de cicatrização.
 
Em estudos anteriores os investigadores mediram a excessiva reatividade dos monócitos e a sua relação com a recuperação dos pacientes uma hora após a cirurgia. Agora neste estudo, os investigadores decidiram analisar se este padrão de monócitos poderia ser detetado antes da cirurgia.
 
Após terem simulado as condições da cirurgia num tubo de ensaio com sangue recolhido de 25 pacientes que tinham sido incluídos no estudo anterior, os investigadores constataram que a rapidez com que os pacientes recuperavam estava associada ao processo celular dos monócitos.
 
Ao detetarem os sinais provenientes do tecido danificado, os monócitos desempenham um papel importante na cicatrização das feridas ao formarem novo tecido conetivo e vasos sanguíneos. Na opinião de um dos investigadores, Martin Angst, quando os monócitos estão excessivamente ativados com a cirurgia, a sua capacidade de migrarem para a zona de incisão é afetada.
 
“O primeiro estudo foi exploratório. Agora estamos em posição de responder a perguntas específicas e validar os nossos resultados. Se formos capazes de identificar as proteínas mais importantes que foram ativadas, é possível desenvolver um ensaio simples. A maioria dos hospitais já têm aparelhos de análise celular que poderiam medir a atividade dos monócitos”, conclui o investigador.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.