Cirurgia bariátrica reduz risco de cancro do endométrio

Estudo publicado na “Gynecologic Oncology”

26 março 2014
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A cirurgia bariátrica que diminui, de uma forma dramática, o peso das mulheres obesas também reduz o risco de desenvolvimento do cancro do endométrio em 71%, e até 81% se o peso normal for mantido após a cirurgia, dá conta um estudo publicado na revista “Gynecologic Oncology”.
 

Estes achados indicam que a obesidade pode ser um fator de risco modificável para o cancro do endométrio e que a cirurgia bariátrica é uma opção de tratamento viável.
 

Este estudo, levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Califórnia, nos EUA, contou com a participação de 7.431.858 pacientes das quais 103.797 tinham história de cirurgia bariátrica e 44.345 tinham sido diagnosticadas com malignidade uterina.
 

Estudos anteriores já tinham indicado que as mulheres com um índice de massa corporal (IMC) de 40 têm um risco oito vezes maior de desenvolver cancro do endométrio, comparativamente com aquelas com um IMC de 25. “Provavelmente este risco continua a aumentar à medida que o IMC aumenta”, referiu, em comunicado de imprensa, a primeira autora do estudo, Kristy Ward.
 

A cirurgia bariátrica é muitas vezes encarada como o ultimo recurso para os pacientes obesos que tentaram, sem sucesso, perder peso através de métodos não cirúrgicos. De forma a serem submetidos a este tipo de cirurgia os pacientes têm de ter um IMC de 40 Kg/m2 ou mais, ou terem um IMC de 35 Kg/m2 associado pelo menos uma das seguintes condições: diabetes, apneia obstrutiva do sono, cardiomiopatia associada à obesidade, doença cardíaca ou doença articular grave.
 

O estudo refere que existem vários mecanismos biológicos que associam a obesidade ao cancro do endométrio. O excesso de tecido adiposo, por exemplo, aumenta os níveis de estrogénio em circulação, que estão associados ao desenvolvimento de tumor e metastização. A obesidade pode também causar inflamação crónica, aumentando os níveis de estrogénio e a resistência à insulina.
 

A cirurgia bariátrica tem mostrado reduzir o impacto destes fatores: os níveis hormonais tornam-se normais, a inflamação e a resistência à insulina diminuem, a perda de peso permite que a atividade física seja aumenta.
 

“A epidemia da obesidade é um problema complicado. Estudos posteriores são necessários para definir o papel da cirurgia bariátrica no tratamento e prevenção do cancro, mas sabemos que as mulheres com cancro do endométrio apresentam maior risco de morrer de causas cardiovasculares comparativamente com aquelas que não são atingidas por este tipo de cancro. Assim as pacientes com excesso de peso e obesas devem ser aconselhadas sobre a perda e de peso e referenciadas sempre que possível para um programa bariátrico”, conclui a investigadora.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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