Cirurgia bariátrica e controlo a longo prazo da diabetes

Estudo publicado na revista “The Lancet”

08 setembro 2015
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A cirurgia bariátrica pode ser mais eficaz que os tratamentos médicos atuais para o controlo a longo prazo da diabetes tipo 2 nos pacientes obesos, sugere um estudo publicado na revista “The Lancet”.
 
Para o estudo os investigadores do King's College London, no Reino Unido, e da Universidade Católica de Roma, em Itália, contaram com a participação de um grupo de pacientes com diabetes com idades compreendidas entre os 30 e os 60 anos e com um Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 35 kg/m². Vinte dos pacientes receberam tratamentos convencionais para a diabetes tipo 2, outros 20 foram submetidos a uma cirurgia bariátrica e os restantes 20 a uma derivação biliopancreática.  
 
Dos 60 pacientes envolvidos no estudo, 53 foram acompanhados ao longo de cinco anos. Ao longo deste período foi analisada a durabilidade da remissão da diabetes, definida como a concentração de hemoglobina glicada (HbA1c) de um máximo de 6,5%, sem necessidade de medicação durante pelo menos um ano.
 
O estudo apurou que, no total, 19 dos 38 pacientes cirúrgicos manteve a remissão da diabetes ao longo de cinco anos, comparativamente com nenhum dos pacientes tratados através de fármacos. Independentemente da remissão, os pacientes cirúrgicos apresentavam no geral níveis mais baixos de glucose no sangue do que aqueles tratados com fármacos. Verificou-se também que, ao longo do estudo, os pacientes cirúrgicos utilizaram uma menor quantidade de medicamentos antidiabéticos e cardiovasculares. O risco cardiovascular estimado aos cinco anos para os pacientes cirúrgicos era cerca de metade do que para os pacientes com medicação. A cirurgia foi também associada a uma melhor qualidade de vida.
 
Os investigadores não observaram complicações ou mortalidade após a cirurgia. A derivação biliopancreática conduziu a um maior taxa de remissão da diabetes, comparativamente com a cirurgia bariátrica, 67% e 37%, respetivamente. Contudo, a cirurgia bariátrica foi associada a menos efeitos nutricionais secundários e melhor qualidade de vida, o que sugere que este tipo de cirurgia pode ter um melhor perfil de risco-benefício para os pacientes com diabetes.
 
“A capacidade da cirurgia em reduzir significativamente a necessidade de insulina e outros fármacos sugere que este tipo de terapia cirúrgica é um método economicamente eficiente para o tratamento da diabetes tipo 2”, conclui um dos autores do estudo, Francesco Rubino. 
 
O investigador acrescentou ainda que os resultados deste estudo comprovam que o trato gastrointestinal é um alvo biológico racional para intervenções antidiabéticas e apoia a implementação da cirurgia como uma opção terapêutica padrão para a diabetes tipo 2.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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