Cirurgia acompanhada por música ajuda a recuperação do paciente
17 dezembro 2001
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De acordo com um estudo realizado por investigadores escandinavos, um doente que seja submetido a uma cirurgia recupera mais facilmente se, durante as diversas fases da intervenção, ouvir música suave e palavras de estímulo.
 

 

Neste estudo, coordenado por Ulrica Nilsson do Departament of Medicine and Care, Faculty of Health Science em Linköping, os investigadores tentaram avaliar se a música por si só, ou combinada com sugestões de estímulo durante intervenções que exigiam anestesia geral, neste caso foram histerectomias (remoção cirúrgica do útero) ajudam, ou não, a recuperação dos pacientes.
 

 

As mulheres que ouviram música suave e sons da Natureza (ondas do mar, por exemplo) durante a histerectomia, no período pós-operatório sentiram menos dores, conseguiram sentar-se em menos tempo e tiveram alta mais cedo do que as pacientes que não ouviram música durante a mesma intervenção.
 

 

De acordo com o artigo publicado na revista científica Acta Anaesthesiologica Scandinavica, a quantidade de analgésicos necessária para combater as dores após a operação foi menor nas mulheres que ouviram música e palavras de estímulo durante a operação.
 

 

Existe uma «consciência intra-operatória»
 

 

Apesar das pessoas estarem inconscientes, os resultados deste trabalho sugerem que o cérebro pode permanecer mais atento ao que se passa durante uma intervenção cirúrgica do que o que se imaginava. Em função da chamada «consciência intra-operatória», assim designada pelos autores deste estudo, os pacientes podem ouvir os comentários de todos os profissionais, médicos e enfermeiros, que intervêm na cirurgia. De acordo com estes investigadores, esse facto pode criar alguma ansiedade ou mesmo insatisfação nos pacientes, logo após o acto cirúrgico.
 

 

Assim, os autores do estudo defendem que os pacientes devem ser protegidos dos comentários inapropriados ou mal interpretados que possam ser ouvidos no decorrer da cirurgia. Para isso, Nilsson e seus colaboradores sugerem que quando os pacientes forem submetidos a anestesia geral, a sala de cirurgia esteja equipada de modo a poder oferecer música suave em combinação com sugestões terapêuticas e estimulação positiva, por forma a que a recuperação mais rápida e menos dolorosa.
 

 

De acordo com as declarações de Nilsson à Reuters Health, trata-se de um «procedimento não invasivo, sem custos que, certamente, resultam na melhoria dos resultados no período pós-operatório, diminuindo a dor e a fadiga.»
 

 

Apesar dos benefícios descritos, os estímulos sonoros no período intra-operatório não surtiram sobre outros aspectos do período pós-operatório como naúseas, o funcionamento do intestino e o tempo de internamento. De acordo com Nilsson e colaboradores, este estudo não foi suficiente para esclarecer as razões pelas quais isto acontece. Dessa forma, os autores deste trabalho acham que são necessários estudos adicionais para confirmar estes resultados.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet

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