Cirrose: descoberto potencial tratamento

Estudo publicado na revista “Gastroenterology”

15 dezembro 2015
  |  Partilhar:

Investigadores espanhóis constataram que a inibição da proteína CPEB4 pode prevenir o desenvolvimento de vasos sanguíneos anormais associados à cirrose, revela um estudo publicado na revista “Gastroenterology”.
 

A angiogenese patológica é uma das complicações mais graves nos pacientes com cirrose e um fator chave no desenvolvimento e agravamento da doença. Desta forma, a comunidade científica tem feito muitos esforços para identificar tratamentos para esta doença.
 

A cirrose é uma lesão crónica do fígado caracterizada pela acumulação de tecido cicatricial (nódulos fibrosos), que alteram a estrutura normal e o funcionamento do órgão. As lesões hepáticas crónicas são causadas principalmente pelo alcoolismo, hepatite C e obesidade.
 

A acumulação de tecido cicatricial impede a circulação sanguínea no fígado, conduzindo à hipertensão da veia porta. Para aliviar a pressão na veia, os vasos colaterais desenvolvem-se fora do fígado. Isto é um duplo problema, primeiro porque o fígado recebe ainda menos sangue, causando assim maiores danos no órgão, e segundo porque os vasos sanguíneos são de má qualidade.
 

"As células hepáticas tentam reparar as lesões, mas a maneira através da qual o fazem acaba por ser fatal para o órgão. Este é um ciclo que aumenta e por fim ameaça a vida do paciente”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das colíderes do estudo, Mercedes Fernández.
 

Os investigadores do Instituto de Investigação em Biomedicina, em Espanha, explicam que o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF, sigla em inglês) é a principal proteína efetora no desenvolvimento dos vasos sanguíneos. “Todos os fármacos atuais que têm como objetivo prevenir a neovascularização são baseados na inibição da VEGF ou nos seus recetores, mas o problema é que o ataque indiscriminado desta proteína prejudica o desenvolvimento normal dos vasos sanguíneos, causando efeitos adversos insuportáveis ", refere a investigadora.
 

Em estudos anteriores, os investigadores já tinham descoberto que as proteínas CPEB estavam envolvidas no desenvolvimento de vasos sanguíneos no cancro do pâncreas e cérebro. Agora neste estudo os investigadores decidiram explorar o papel da CPEB4 neste processo no contexto da cirrose, uma doença caracterizada por elevados níveis de neovascularização.
 

O estudo apurou que o desenvolvimento patológico dos vasos sanguíneos pode ser impedindo ao interferir com as proteínas CPEB4, deixando a vascularização positiva intacta. Experiências realizadas in vitro, em modelos animais, e em amostras retiradas a pacientes com cirrose revelaram os mecanismos moleculares através dos quais o aumento da CPEB4 favorece a expressão exagerada do VEGF na cirrose.
 

Os investigadores referem que o ciclo em que o fígado entra agrava a situação até ao ponto de os nódulos de regeneração, com níveis elevados de CPEB4, acabarem por formar carcinomas hepáticos.
 

A associação espanhola contra o cancro deu mais de um milhão de euros aos investigadores para estes desvendarem o papel desta molécula e proporem um tratamento para os hepatocarcinomas, o principal cancro do fígado e a terceira causa de morte por cancro em todo o mundo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.