Círculo de amigos depende de fatores socioeconómicos

Estudo publicado na “Psychological Science”

27 dezembro 2012
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As preferências relativamente aos círculos de amizades dependem da personalidade e das circunstâncias sociais, sugere um novo estudo conduzido por investigadores das University of Virginia, EUA, e da London Business School, no Reino Unido.

 

Algumas pessoas preferem poucos amigos e chegados, ao passo que outras preferem círculos de amigos alargados e com amizades menos próximas. Os investigadores Shigehiro Oishi e Selin Kesebir dedicaram-se a investigar os benefícios estratégicos das redes sociais através de dois estudos.

 

Ao que parece, os norte-americanos preferem uma rede social alargada, com relações mais superficiais, algo que não é visto de forma tão positiva noutras realidades culturais. Uma das razões para esta preferência assenta, segundo os autores, no facto de os norte-americanos se deslocarem geograficamente com frequência. Sendo assim, partilham o seu tempo e recursos por muitos amigos, minimizando a perda dos amigos que eventualmente se desloquem para longe.

 

Os fatores económicos poderão também pesar nesta preferência já que, quando há prosperidade, existem menos necessidades de ajuda em termos financeiros ou de logística, sendo mais fácil manter o círculo de amigos.

 

No primeiro estudo Shigehiro Oishi e Selin Kesebir procuraram determinar os benefícios obtidos a título individual do grupo social em vários contextos socioeconómicos e o investimento exigido por cada tipo de amizade.

 

Os investigadores descobriram que a adoção de uma estratégia de redes superficiais é uma opção vantajosa para quem desloca com frequência e vive num contexto economicamente próspero. Uma estratégia de círculo reduzido e mais próximo parece ser ideal para quem tende a não se deslocar e vive num contexto económico desfavorável.

 

Com base numa sondagem, através da internet, que incluiu a participação de 247 norte-americanos, os investigadores conduziram um segundo estudo para procurarem determinar se este padrão se refletia no mundo real.

 

Os participantes tiveram que descrever três tipos de amigos: muito próximos, próximos e distantes;  de seguida era-lhes pedido que descrevessem como é que distribuíam o seu tempo, energia e dinheiro pelos três tipos. Foi também avaliado o bem-estar dos participantes segundo vários parâmetros.

 

Os resultados deste segundo estudo refletiram os do primeiro, com participantes de áreas residenciais estáveis e de baixo rendimento com círculos de amigos restritos e próximos a apresentarem um maior bem-estar, do que os que tinham círculos alargados e amizades mais superficiais.

 

Os investigadores concluem que “com a redução da mobilidade geográfica e do aprofundamento da recessão económica nos Estados Unidos, a estratégia ideal de rede social poderá mudar de alargada e superficial para restrita e próxima, mesmo numa nação que é conhecida por manter laços pouco fortes”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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