Cinto de segurança e banco reclinado – uma combinação perigosa
15 janeiro 2002
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O uso incorrecto dos cintos de segurança de três apoios (que passam pela região subabdominal e torácica) pode provocar lesões na medula espinhal, no pescoço e na pélvis. Um grupo de investigadores encontrou evidências em três casos que sugerem que as pessoas que mantêm o encosto do banco reclinado enquanto usam o cinto de segurança correm maiores riscos de sofrerem ferimentos.
 

 

Para Christina G. Rehm e Robert K. Goldman, da Oregon Health & Science University, em Portland, não existem dúvidas de que o sistema de protecção do cinto de três apoios salva vidas mas «infelizmente, o uso destes cintos tem as suas limitações.»
 

 

De acordo com o artigo publicado na edição de Dezembro do The Journal of Trauma: Injury, Infection, and Critical Care por estes investigadores, para se obter o máximo de benefícios e de segurança com este tipo de cinto, o encosto do assento deve estar na posição vertical.
 

 

Nesta investigação, Rehm e Goldman estudaram três casos de colisões em que os ocupantes dos bancos dianteiros dos automóveis usavam o cinto com o encosto reclinado, durante o deslocamento. Todos os passageiros que viajavam nestas condições apresentaram ferimentos.
 

 

Os acidentes estudados
 

 

O primeiro acidente envolveu uma jovem de 17 anos que viajava com o encosto totalmente reclinado enquanto dormia durante a viagem. O condutor também adormeceu e o automóvel colidiu frontalmente com um poste. A jovem sofreu vários traumatismos que incluíram edema no pescoço, marcas de estrangulamento profundas que resultaram em graves lesões na traqueia que resultaram em problemas respiratórios também graves. Mas as lesões de gravidade acentuada não ficaram por aqui: o esófago gravemente ferido e ainda os ferimentos na zona cervical ainda provocaram lesões na medula espinal.
 

 

O segundo acidente estudado ocorreu quando um jovem de 22 anos conduzia sob o efeito de estupefacientes e também adormeceu não conseguindo controlar o veículo que capotou. Como circulava com o encosto bastante reclinado, foi projectado pela janela traseira, sofrendo uma pancada muito violenta quando caiu ficando com ferimentos muito graves no rosto.
 

 

O último caso estudado foi o de uma jovem de 25 anos que também adormeceu quando o seu carro embateu frontalmente num obstáculo quando circulava a cerca de 110 Km por hora. Toda a zona torácica e o pescoço ficaram gravemente feridos. Devido ao facto do banco se encontrar reclinado, o cinto também deixou nesta jovem uma marca profunda na parte superior do pescoço.
 

 

Banco reclinado – nunca!
 

 

Da análise destes acidentes, Rehm e Goldman concluem que «o cinto de segurança dos carros modernos não foi projectado para proteger os ocupantes com o encosto na posição reclinada, porque o cinto não é fixado no banco e sim na estrutura do próprio automóvel.» Nestas condições, a protecção máxima é dada quando a pessoa se senta com o encosto colocado na posição vertical: o cinto não passa pelo pescoço e, em caso de colisão, não é projectada para trás.
 

 

Também é preciso ter em conta a estatura da pessoa já que os contos de três apoios são mais seguros, acarretando menos riscos de ferimentos adicionais, para os adultos – daí a necessidade de utilizar bancos adequados para transportar crianças.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet

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