Cientistas transformam células estaminais em neurónios
04 dezembro 2001
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Ao longo dos últimos anos, várias têm sido as investigações que culminam com novos modos de “criar” células estaminais embrionárias – um tipo de célula que dá origem a outras no organismo. Agora, duas equipas de investigadores anunciaram ter descoberto uma nova forma de induzir, ou transformar, células estaminais em neurónios.
 

 

Os trabalhos, um das universidades de Wisconsin (EUA) e Bonn (Alemanha), e um outro que reuniu as universidades Hadassah (de Jerusalém, Israel) e Monash (de Melbourne, Austrália), são inovações no promissor, porém controverso, campo de investigação de células estaminais embrionárias.
 

As células estaminais podem ser cultivadas em laboratório, ao contrário das restantes, fornecendo um potencial infinito de tecido e, no futuro, até órgãos para transplantes.
 

 

Ambos os estudos, publicados na revista científica Nature Biotechnology referem que as células estaminais foram induzidas a transformarem-se em três tipos de células cerebrais - astrócitos, oligodendrócitos e neurónios maduros.
 

 

Como se faz
 

 

Os investigadores retiraram as células estaminais de embriões humanos - "sobras" de fertilizações in vitro - cultivaram-nas em laboratório e injectaram-nas em cérebros de ratos. Após algumas semanas, perceberam que os neurónios resultantes eram praticamente idênticos aos encontrados numa amostra saudável.
 

 

As células estaminais são difíceis de isolar e identificar, no entanto, ainda é mais complicado dirigir o seu desenvolvimento. É necessário utilizar uma mistura particular de componentes químicos para evitar que elas formem tumores no cérebro.
 

 

É justamente o não-aparecimento dos tumores que torna estes estudos inovadores. Estas investigações mostraram, segundo os investigadores, que os métodos utilizados para purificar as células precursoras são muito bons.
 

 

Lorenz Studer, investigador no Centro de Pesquisa contra o Cancro de Sloan-Kettering, em Nova Iorque, comentou a descoberta no Nature Biotechnology. Para o cientista, estes resultados oferecem, desde já, uma percepção do que está para vir. "A lista de doenças que podem ser tratadas com a investigação das células estaminais embrionárias é tão vasta e inclui, por exemplo, problemas neurológicos como a doença de Parkinson, a perda de córtex cerebral ou danos na espinha dorsal, além de outras situações fora do sistema nervoso central, como diabetes juvenil, distrofia muscular ou disfunção cardíaca".
 

 

Apesar dos resultados promissores para o tratamento e cura de certas doenças, as investigações nesta área ainda não poderão ser efectuadas em seres humanos. É que o presidente dos EUA, George W. Bush, limitou os recursos públicos para o sector. “A técnica está descoberta, mas faltam apoios para testá-la em pessoas”, aponta.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

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