Cientistas sequenciam bactéria do tifo

Febre tifóide ou intoxicação? Salmonellas semelhantes, mas com consequências bem diferentes

24 outubro 2001
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Dois grupos de investigadores do Reino Unido e dos EUA sequenciaram o genoma de duas espécies de bactéria do género Salmonella, que causam doenças com consequências tão opostas como a febre tifóide e a intoxicação alimentar.
 

 

A comparação das sequências deve ajudar os cientistas a entender por que razão dois micróbios tão semelhantes se comportam de maneira tão diferente. O resultado desta investigação, publicado hoje na revista Nature, irá conduzir a novas formas de diagnóstico, tratamento e vacinação para ambas as doenças.
 

 

Enquanto a bactéria que dá origem à febre tifóide (ver imagem) ataca o fígado e, em muitos casos, leva à morte, a vulgar salmonella que provoca as intoxicações alimentares é muito menos agressiva.
 

 

Segundo os cientistas, trata-se de um «erro» genético. Uma pequena variação genética dá origem à bactéria feroz que mata milhões de pessoas em todo o mundo. Um problema apontado pelos investigadores é precisamente a resistência da bactéria aos medicamentos. «As actuais vacinas contra a febre tifóide não são fiáveis», aponta Gordon Dougan, membro da equipa de investigação inglesa. «Necessitamos de uma outra etapa no progresso de vacinação», diz Dougan.
 

 

Infecções por Salmonella: gastrenterite ou tifo?
 

 

Algumas espécies de salmonella podem produzir dois tipos de doenças de origem alimentar. As gastrenterites, caracterizadas por infecção no intestino, são causadas pela
 

Salmonella enterica. Geralmente não conduzem à morte e respondem de modo satisfatório ao tratamento com antibióticos.
 

 

A Salmonella enterica é transmitida por alimentos contaminados e ingeridos crus ou mal cozidos. Estes alimentos são frequentemente de origem animal, sendo a carne de frangos e principalmente os ovos, os mais contaminados por esta bactéria. É, portanto, uma doença transmitida pelos próprios animais(zoonose).
 

 

Os sintomas iniciais da intoxicação surgem 12 a 36 horas após a ingestão do alimento contaminado. Diarreia, vómitos, dor abdominal, cólicas, febre e dor de cabeça são os sintomas apresentados pelo paciente. A doença dura em média entre quatro a sete dias. E, em muitos casos, pode ser necessário o internamento.
 

 

Já a transmissão da febre tifóide ocorre por meio da água e de alimentos contaminados pela Salmonella typi.
 

 

Locais sem saneamento básico, sem hábitos higiénicos de, por exemplo, lavar as mãos após a ida à casa de banho são propícios ao aparecimento da bactéria que passa para os alimentos ou, simplesmente, através de um aperto de mão.
 

 

Este bacilo ataca principalmente o intestino, destruindo os nódulos linfóides situados abaixo da mucosa intestinal o qual conduz a úlceras na estrutura desse órgão. Diarreias intensas e com cólicas, febre e, muitas vezes, presença de sangue nas fezes são os sintomas da doença.
 

 

Após a cura, os doentes podem continuar como «portadores» dessas bactérias por muitos meses e até mesmo por anos. Embora sem sintomas da doença, estas pessoas perpetuam o ciclo de contaminação.
 

 

A febre tifóide infecta cerca de 16 milhões de pessoas, em cada ano, e mata 600 mil em todo o mundo. O único modo de evitar a doença, em populações com falta de condições de toda a ordem, é a imunização por meio de vacina.
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

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