Cientistas procuram decifrar o genoma da banana
18 julho 2001
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Cientistas de 11 países vão tentar decifrar o genoma da banana, fruta que alimenta mais de 500 milhões de pessoas, para criar novas variedades resistentes às doenças e evitar o recurso aos pesticidas.
 

 

Centros de Investigação do México e Brasil, juntamente com prestigiados institutos norte-americanos, britânicos e alemães, uniram-se neste projecto.
 

 

Especialistas admitem que esta venha a ser a terceira planta da qual se possui a sequência genética completa.
 

 

Até agora, ainda que existam numerosas variedades geneticamente modificadas, em especial de milho, algodão e soja, apenas duas outras plantas, o arroz e a Arabidopsis, da família da mostardeira, revelaram aos cientistas o seu mapa genético.
 

 

Segundo explicou Emile Frison, director da organização International Network For The Improvement of Banana and Plantain, "o que é verdadeiramente importante neste trabalho não é a sequenciação do ADN, mas a exploração do potencial genético" desta fruta.
 

 

Os cientistas, que lançaram quarta-feira o seu projecto na Fundação norte-americana das Ciências, sediada em Arlington, Virgínia, vão estudar todas as variedades existentes da planta "Musa".
 

 

Segundo Frison, as investigações vão permitir averiguar que tipo de modificações genéticas poderão ser efectuadas de modo a proteger as colheitas contra o fungo "Black Sigatoka", que dizima as plantações.
 

 

Além deste fungo, que afecta praticamente todas as regiões produtoras de banana, tanto na Ásia e África como na América Latina, os fungos rasteiros, o gorgulho, os vermes parasitas e diferentes vírus ameaçam todos os anos as produções.
 

 

Para combater as pragas, a indústria da banana recorre a grandes quantidades de pesticidas, o que a transformou no sector de produção frutícola que mais produtos químicos deste género utiliza.
 

 

"É uma excelente oportunidade para tentar acabar com dois problemas, conseguir uma variedade resistente às pragas e eliminar os pesticidas que são utilizados", explicou Emile Frison.
 

 

O investigador, que lidera a iniciativa a partir do seu centro em Montpellier, França, assinalou que no projecto estão integrados laboratórios como o Instituto de Investigação do Genoma (TIGR), que conseguiu o primeiro genoma de uma planta, a Arabidopsis, e trabalhou no genoma do arroz.
 

 

O centro TIGR, mantém vínculos com a empresa Celera Genomics de Rockville, Maryland, que, sob a direcção de Craig Venter, obteve o primeiro esboço do Mapa do Genoma Humano.
 

 

A banana é uma das plantas mais sensíveis que se conhece, mas os seus 11 cromossomas com cerca de meio milhão de pares de bases ou nucleótidos não colocam, em princípio, grandes obstáculos aos cientistas, afirma Frison.
 

 

O investigador também não acredita que as modificações genéticas eventualmente criadas manifestem problemas como os relacionados com as variedades de milho "Bt", às quais se atribuem efeitos prejudiciais para as larvas das borboletas "Monarch".
 

 

Antes de se conseguir decifrar o mapa genético da bananeira e descobrir onde radica a sua susceptibilidade às pragas, os cientistas têm de encontrar as variedades selvagens que ainda mantêm diversidade genética.
 

 

Desde há milhares de anos que a banana se cultiva através de cruzamentos por reprodução vegetativa, o que fez com que as variedades actuais tenham perdido a diversidade genética necessária para garantir a protecção da planta contra as doenças.
 

 

Cerca de 95 milhões de toneladas de banana são produzidas todos os anos a nível mundial, alimentando perto de 500 milhões de pessoas, na sua maioria em países pobres.
 

 

A banana é considerada um alimento benéfico, devido às altas doses de vitaminas A, C e B6 que contém, assim como elevados níveis de fósforo, potássio e cálcio.
 

 

Uma boa parte da produção, destinada ao consumo nos Estados Unidos e na Europa, produz-se com baixo recurso aos pesticidas, mas a sua susceptibilidade às pragas é alta.
 

 

Pelo contrário, nos países pobres, o recurso aos pesticidas encarece o produto, ao mesmo tempo que introduz doses elevadas de químicos no fruto.
 

 

Os cientistas acreditam poder obter, num prazo de cinco anos, novas variedades que façam da banana uma planta resistente e livre de pesticidas.
 

 

 

 

Lusa
 

 

 

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