Cientistas procuram compreender segredos da varíola
28 maio 2002
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Investigadores norte-americanos que procuram compreender como a varíola atinge o homem desenvolveram uma proteína que ajuda a doença a vencer o sistema imunitário.
 

 

Com o estudo desta proteína, os investigadores da Universidade da Pennsylvania esperam compreender como é que a varíola vence o sistema imunitário.
 

 

"A melhor defesa contra qualquer vírus é compreender como é que ele funciona para o podermos neutralizar", disse Ariella M. Rosengard, responsável pela condução dos trabalhos.
 

 

A equipa de investigadores modificou um vírus mais fraco, o vacinia (de onde se extrai a vacina antivariólica), para criar a proteína que torna o seu primo, a varíola, tão mais perigoso.
 

 

O trabalho encontra-se publicado na edição de hoje da revista da Academia nacional das ciências (Proceedings of the National Academy of Sciences).
 

 

A publicação deste estudo poderá suscitar alguma controvérsia, uma vez que envolve informação preciosa para os terroristas, mas peritos como P.J. Lachmann, do Centro para a Ciência Veterinária de Cambridge, Inglaterra, afirma que "o trabalho está muito mais próximo de estimular avanços na vacinogenia ou na terapia viral do que de se tornar numa ameaça à biosegurança".
 

 

Lachamnn é o autor dos comentários ao trabalho de investigação publicado na revista.
 

 

A varíola é uma doença mortal e o acesso a este vírus cuidadosamente limitado. O último episódio da doença conhecido no mundo remonta a 1977, considerando-se que está erradicada.
 

 

As únicas reservas oficias de varíola estão guardadas no Centro para o Controlo de Doenças, Atlanta, e num laboratório russo. No entanto, persiste a preocupação de que armazenamentos clandestinos tenham sido obtidos por terroristas.
 

 

O vacinia é menos virulento, sendo por isso usado para vacinar as pessoas contra a forma mais perigosa da doença.
 

 

Rosengard explicou estar a investigar a proteína da varíola há anos, tentando compreender o sistema imunitário humano e como as doenças o vencem.
 

 

A varíola é um bom caso para ser estudado, disse, uma vez que é específica dos seres humanos.
 

 

"É efectiva em vencer a primeira linha das defesas humanas", sublinhou, acrescentando que encontrar uma forma de a bloquear poderá conduzir a uma protecção eficaz contra a doença.
 

 

O interesse em torno do seu trabalho mudou radicalmente após os ataques terroristas de 11 de Setembro, contou Rosengard.
 

 

Quando os esforços anti-terroristas começaram a considerar a possibilidade de ataques biológicos tornou-se óbvio que não havia muita gente a estudar a varíola.
 

 

Modificando 13 compostos do vacinia, os denominados nucleótidos, os investigadores foram capazes de converter uma proteína do vírus designada "proteína complementar de controlo do vírus" no "inibidor das enzimas complementares da varíola" ou SPICE.
 

 

A versão da proteína da varíola é 100 vezes mais efectiva na capacidade de vencer a parte do sistema imunitário que ataca os agentes patogénicos, dizem os investigadores.
 

 

Esta é a diferença que ajuda a tornar a varíola tão mais perigosa que o vacinia.
 

 

Determinando as alterações na proteína que foram críticas para esta se tornar mais virulenta, os investigadores esperam encontram formas de atingir e vencer o vírus.
 

 

Além disso, afirmam, as descobertas poderão ter resultados benéficos noutras doenças.
 

 

Os cientistas pensam que a proteína SPICE cria um ambiente em torno das células infectadas que as protege contra o ataque do sistema imunitário, à medida que o vírus se reproduz na célula.
 

 

Fonte: Lusa
 

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