Cientistas portugueses indicam novas pistas para origem da esquizofrenia

Investigação da Universidade de Coimbra

15 abril 2015
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Um estudo internacional liderado pela Universidade de Coimbra (UC) admite que a origem da esquizofrenia não seja neuronal, conforme se pensava, mas antes da glia, cujas células, não neuronais, assumem o suporte funcional dos neurónios, revela uma notícia da agência Lusa.
 
A descoberta, liderada por investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da UC, surgiu no âmbito de um estudo que foi “desenvolvido ao longo dos últimos quatro anos” e que visou “analisar o papel dos recetores A2A para a adenosina (‘antenas’ que detetam a adenosina, molécula que indica sinal de perigo no cérebro) nos problemas de memória”, anunciou a UC, numa nota enviada à Lusa.
 
“Experiências em ratinhos permitiram observar que, além de estarem presentes nos neurónios, os recetores A2A surgiam igualmente na glia, especialmente nos astrócitos, as células mais abundantes da glia”, adianta a UC na mesma nota.
 
Os investigadores decidiram então recorrer à engenharia genética e retirar os recetores A2A somente dos astrócitos para analisar possíveis reações.
 
Ao bloquear a presença de A2A na glia, os especialistas observaram que “a comunicação dos neurónios fica seriamente comprometida”, salienta a UC.
 
“Notou-se uma perturbação disseminada ao sistema nervoso central e os ratinhos passaram a comportar-se como indivíduos que padecem de esquizofrenia”, adianta Rodrigo Cunha, coordenador do estudo, que também envolveu cientistas de dois grupos de investigação dos EUA.
 
Tal como acontece na esquizofrenia, “registaram-se três grandes tipos de alterações no funcionamento do sistema nervoso central dos animais, designadamente sintomas negativos (isolamento), sintomas positivos (alucinações visuais e sonoras, delírios, etc.) e problemas cognitivos (memória e concentração)”, sublinha Rodrigo Cunha.
 
“Verificou-se ainda que os ratinhos ficaram ávidos de fármacos psicoativos”, acrescenta o investigador do CNC.
 
Os resultados do estudo, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, por fundos europeus e por duas fundações norte-americanas, evidenciam que “os recetores A2A são responsáveis por garantir o equilíbrio entre a glia e os neurónios e sugerem que a glia pode ter um papel central no desenvolvimento de doenças psiquiátricas”, afirma Rodrigo Cunha.
 
“Ao desvendar mais uma peça chave no funcionamento do sistema nervoso é agora possível avançar para mais estudos tendo em vista o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas para uma das mais incapacitantes doenças psiquiátricas”, conclui a UC.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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