Cientistas lutam contra o cancro

Controlo da doença vai aumentar nos próximos anos

22 julho 2003
  |  Partilhar:

O controlo das formas mais letais de cancro podem estar muito avançadas dentro dos próximos vinte anos. Novas misturas de drogas biotecnológicas e quimioterapia podem levar a um maior controlo da doença, ampliando a vida dos pacientes em anos, ou até décadas, segundo previsão de laboratórios e investigadores.
 

 

Uma dúzia de drogas de alto nível que combatem o cancro ao nível molecular, bloqueando proteínas ou enzimas que permitem o avanço de células de tumor, foram aprovadas ou demonstraram-se efectivas em testes desde 1997.
 

 

As drogas já começaram a ampliar o tempo de vida, mas só em alguns meses. Mas os investigadores acreditam que os avanços estão a abrir caminhos para progressos significativos no futuro. «Acredito que até 2015 poderemos tanto eliminar alguns tipos de cancro como controlar outros tipos de doenças crónicas, tais como diabetes ou doenças cardíacas», disse em entrevista à Reuters Andrew von Eschenbach, director do Instituto Nacional do Cancro dos Estados Unidos.
 

 

Alguns progressos foram alcançados nas últimas décadas, incluindo a cura de muitas crianças com leucemia e diminuição de certos tipos de linfomas ou cancro da mama. Mas a maior compreensão do cancro ao nível molecular leva alguns investigadores a acreditar que a lista de cancros controlados crescerá em breve.
 

 

Bill Slichenmyer, investigador-chefe do laboratório Pfizer, disse que os três grandes tipos de cancro que mais matam -- mama, próstata e cólon -- provavelmente serão controlados a longo prazo até 2015, com novas drogas moleculares e com agentes de quimioterapia mais eficientes. «É razoável sugerir que um paciente com uma esperança de vida actualmente de um ou dois anos poderá estender para 10 anos», disse Slichenmyer. No entanto, advertiu, que avanços maiores para outros tipos de cancro, como os que afectam os pulmões ou pâncreas, poderão demorar mais tempo.
 

 

A nova geração de drogas contra o cancro ganhou atenção pela capacidade de reduzir tumores sem efeitos secundários graves observados em tratamentos padrão. Mas estas drogas não conseguiram controlar totalmente o cancro na maioria dos pacientes, ou prolongar as suas vidas de maneira significativa.
 

 

No final de 2002, cerca de 100 delas estavam em estágios finais de testes. Especialistas do Instituto Nacional do Cancro dos EUA esperam uma baixa no índice de mortes e controlo do crescimento de tumores nos próximos anos. Mas prevêem um aumento no número de casos, por causa do envelhecimento da população.
 

 

A Sociedade Americana de Luta Contra o Cancro também tem objectivos ambiciosos para 2015: reduzir a frequência de cancro em 25 por cento e diminuir em 50 por cento os índices de mortalidade relativos a idade.
 

 

Poucos cientistas procuram a «cura» do cancro. Mas, em vez disso, esperam controlar o crescimento de tumores para que os pacientes vivam com relativa normalidade, livres de sofrimentos e de sintomas graves. Para William Li, presidente da Fundação Angiogenisis, a ideia de que o cancro precisa ser curado para beneficiar pacientes está fora de questão. «A visão é que o cancro deve ser controlado, como uma doença crónica, usando novas classes de drogas que estão a ser desenvolvidas».
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.