Cientistas localizam vírus da hepatite C no suor

Investigação traz novos dados

01 outubro 2002
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Investigadores espanhóis conseguiram demonstrar, pela primeira vez, que o vírus C da hepatite pode estar presente na pele e nas glândulas sudoríparas e ser emitido para o exterior através do suor.
 

 

O trabalho, resultante da cooperação entre a Fundação para o Estudo das Hepatites Virais e o Serviço de Dermatologia do Hospital Gregorio Marañon de Madrid, foi publicado ontem no Journal Investigative Dermatology, uma prestigiada publicação médica.
 

 

O vírus C da hepatite foi isolado pela primeira vez em 1989. Desde essa altura foram desenvolvidas várias técnicas de diagnóstico, sabendo-se que existem actualmente 300 milhões de pessoas infectadas.
 

 

O vírus produz uma inflamação crónica do fígado, o que faz com que cerca de 20 por cento das pessoas afectadas possam desenvolver cirrose hepática durante os 20 anos de evolução da doença.
 

 

Além disso, 3 por cento dos pacientes com cirrose hepática causada pelo vírus C podem vir a contrair cancro do fígado.
 

 

O contágio ocorre através de transfusões, seringas, transmissão vertical de mãe para filho ou por via sexual, mas em 30 por cento dos pacientes a via de contágio permanece desconhecida.
 

 

Os estudos realizados pela equipa da Fundação comprovaram que o vírus está presente na pele de 69 por cento dos infectados, além de constatarem que nas células da pele o vírus se multiplica e está activo.
 

 

Os investigadores espanhóis estudaram igualmente glândulas sudoríparas de pacientes com pele sã, tendo comprovado que na sua totalidade apresentavam o vírus C nas células destas glândulas assim como no suor numa concentração considerável, apesar de aproximadamente dez vezes menor que a detectada no sangue.
 

 

A percentagem de células infectadas pelo vírus C é mais alta nas células do suor que nas da pele (10 por cento face a 6 por cento).
 

 

Vicente Carreño, que conduziu os trabalhos da Fundação, precisou que, em condições normais de comunicação e relação, e sempre que a pele esteja íntegra, não existe risco de contágio através do suor.
 

 

Sublinhou que "as possibilidades de infecção seriam baixas, não tendo ficado demonstrado que o vírus C do suor seja capaz de infectar".
 

 

A descoberta realizada pelos investigadores espanhóis, que vão desenvolver em laboratório um sistema de cultivo do vírus em células de pele, poderá revelar-se extremamente útil para novos tratamentos.
 

 

O perito indicou que existem já linhas comerciais de células de pele humanas que se cultivam em laboratório, o que facilitará a realização de estudos para conhecer melhor alguns aspectos da biologia do vírus C até agora desconhecidos, como os mecanismos de replicação, entre outros.
 

 

 

Fonte: Lusa
 

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