Cientistas «lêem» o cérebro de eleitores norte-americanos

Lavagem cerebral para uns, ciência política para outros

28 abril 2004
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 Muitos norte-americanos concordariam com a afirmação de que os cérebros de democratas e de republicanos funcionam de maneiras diferentes. Agora há dados científicos para sustentar essa ideia. Dois especialistas em neurologia da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) estão a usar equipamentos de ressonância magnética nuclear para estudar as reacções cerebrais de indivíduos a anúncios televisivos políticos. As experiências destes cientistas foram descritas na semana passada num artigo no jornal «The New York Times». O trabalho ainda está a meio, mas o estudo já colocou hipóteses curiosas. Entre elas: mostrando o mesmo anúncio de propaganda a duas pessoas, cada uma irá usar uma parte diferente do cérebro de acordo com a sua opinião sobre a mensagem. O estudo da UCLA consiste em mostrar anúncios de propaganda política a indivíduos e medir as suas reacções através do uso de equipamentos de ressonância magnética nuclear. Marco Iacoboni, um professor na UCLA, descreveu ao jornal «Times» as reacções dos sujeitos testados. Entre os vários anúncios usados estava um do Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que usa imagens do 11 de Setembro. Segundo Iacoboni, os indivíduos com tendências democratas, que à partida não aprovam as políticas de Bush, responderam ao anúncio com a parte do cérebro ligada a ameaças e ao perigo. Os republicanos, partidários de Bush, a quem o mesmo anúncio foi mostrado reagiram com outras partes do cérebro. Estas respostas são subjectivas e de fiabilidade limitada. O uso de equipamentos de ressonância magnética nuclear poderá permitir ter uma ideia mais exacta da verdadeira reacção de cada pessoa a um anúncio. Nos dias seguintes à publicação do artigo, o «Times» recebeu cartas de alguns leitores preocupados com o efeito «Big Brother» desta pesquisa. Outros cientistas notaram que a investigação ainda está numa fase muito incipiente, e que não há que temer «lavagens cerebrais». Mas para alguns analistas políticos este método tem inúmeras potencialidades, nomeadamente, tornar a ciência política um pouco mais científica.Fonte: Público

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