Cientistas italianos removem fígado de paciente para tratar cancro

Nova técnica apresentada na revista New Scientist

19 dezembro 2002
  |  Partilhar:

Cientistas italianos testaram uma nova técnica para tratar o cancro do fígado que consiste na remoção do órgão, submetê-lo a radiação para depois ser implantado novamente no paciente, noticia a revista New Scientist.
 

 

Um homem de 48 anos foi o primeiro paciente a ser submetido ao tratamento inovador no Hospital San Matteo, em Pavia, na Itália. Por enquanto, e segundo os cientistas, o paciente está livre da doença um ano após ter sido tratado numa cirurgia de 21 horas para mais de 14 tumores no fígado.
 

«A operação extracorpórea - fora do corpo - permite que os médicos administrem altas doses de radiação nos tumores disseminados sem afectar os outros órgãos», informou a revista.
 

 

O cirurgião Aris Zonta e o médico Tazio Pinelli, do Instituto Nacional de Medicina Nuclear, Itália, que coordenaram o procedimento, estão agora à espera de luz verde para tratar outros seis pacientes com tumores múltiplos.
 

 

Este primeiro paciente tinha cancro no cólon que se disseminou para o fígado. Mas o cancro não respondeu à quimioterapia e estava numa fase tãp avançada que a radioterapia convencional teria destruído o fígado.
 

 

Os cientistas italianos decidiram então experimentar a terapia, denominada captura neutrónica por boro, com a que estavam a trabalhar desde 1987 e que foi realizada pela primeira vez nos anos 1950.
 

 

O procedimento inclui a introdução de um líquido que contém átomos de boro no paciente e utiliza um feixe de neutrões de baixa energia para fragmentar o boro em partículas que matam as células cancerosas.
 

 

No entanto, é necessária uma dose uniforme de neutrões para tratar todo o órgão e os ossos do corpo podem bloquear o feixe. Por isso, os cirurgiões removeram o fígado, trataram-no e voltaram a implantá-lo novamente no corpo.
 

«Através da remoção e do transplante do órgão, pudemos administrar uma dose elevada e uniforme em todo o fígado, o que era impossível de conseguir dentro do corpo sem que o paciente corresse um grave risco», explicou Pinelli à New Scientist.
 

 

O tratamento, chamado Taormina, foi um sucesso e pode dar novas esperanças a pacientes em estado grave. Este método, no entanto, pode ser adequado apenas para pessoas cujo cancro se tenha espalhado só num órgão e caso estejam suficientemente «fortes» para sobreviver à operação.
 

Segundo a revista, a técnica está actualmente a ser testada em pacientes com tumores cerebrais que não poderiam ser tratados de outra forma, mas nestes casos o órgão não é retirado.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.