Cientistas italianos analisam ADN de são Lucas

Esqueleto sepultado em Pádua pode pertencer ao evangelista

15 outubro 2001
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A pedido da Diocese de Pádua onde supostamente estará enterrado o esqueleto pertencente a são Lucas, autor do terceiro Evangelho, uma equipa de investigadores italianos descobriu, através de testes da ADN, que, muito provavelmente, os vestígios encontrados pertencem mesmo ao evangelista.
 

 

A polémica sobre se, de facto, o esqueleto de 1700 anos, sepultado em Pádua, pertencia mesmo a são Lucas tem vindo a arrastar-se ao longo de vários séculos. Agora, a equipe liderada pelo geneticista Guido Barbujani, da Universidade de Ferrara, vem acrescentar mais algumas pistas a esta longa história.
 

 

O bispo da cidade, onde os restos do santo estão sepultados desde a Idade Média, voltou a expressar desconfiança sobre a origem do esqueleto. Havia suspeitas de que se tratasse de uma substituição feita durante o período bizantino, ou seja, que um outro corpo tivesse sido enterrado na sepultura de são Lucas, que morreu na Grécia.
 

 

Os testes ao ADN das mitocôndrias - as fábricas de energia da célula - de dois dentes do esqueleto revelaram que, em princípio, o esqueleto não foi substituído. Isto porque, os ossos encontrados estão geneticamente mais próximos das populações da Síria, lugar onde são Lucas terá nascido.
 

 

Síria ou Turquia?
 

 

Para decifrar o enigma, a equipa de Barbujani comparou a amostra extraída do esqueleto com as de populações modernas da Síria, da Grécia e da Turquia, para onde os restos mortais de são Lucas foram levados pelo imperador romano Constantino, no ano 338 d.C.
 

 

A análise, publicada hoje na revista norte-americana PNAS, mediu a quantidade de mutações diferentes no ADN de cada uma dessas populações em relação às do esqueleto.
 

 

Pelo número de mutações -que determina a distância entre uma população e outra-, o corpo sepultado em Pádua tinha três vezes mais probabilidades de ser o de um cidadão sírio do que de um grego.
 

 

Esta é uma forte evidência a favor das fontes históricas. Mas, existem outras duas: o esqueleto tem sinais característicos de velhice, como osteoporose e, segundo a história, são Lucas morreu aos 84 anos. O caixão enterrado em Pádua encaixa-se perfeitamente na sepultura atribuída ao santo, na cidade grega de Tebas.
 

 

Isto não significa, segundo o investigador, que o esqueleto seja mesmo o do evangelista. Em apoio à hipótese da origem turca está a datação radiocarbônica do esqueleto, que aponta para uma idade de 1.700 anos, mais de um século depois da morte de são Lucas e dentro do período em que os restos mortais se encontravam na capital bizantina. Só que, segundo aponta o investigador, a margem de erro desse tipo de datação é alta. O que, conclui, as duas hipóteses ficam em aberto.
 

 

Percurso
 

 

São Lucas nasceu na colónia romana de Antióquia, Síria - hoje território turco - , numa data incerta do século 1º e morreu por volta do ano 150. Foi o terceiro evangelista, sendo os restantes Mateus, Marcos e João.
 

 

Apesar de não ter conhecido Jesus Cristo, são Lucas acompanhou as peregrinações do apóstolo Paulo pela Grécia e Macedonia. Tinha um elevado nível de instrução e era descrito por Paulo como o seu «amado médico».
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

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