Cientistas identificam gene da juventude

Estudo publicado na revista “Current Biology”

03 maio 2016
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Há pessoas que parecem sem dúvida mais novas do que de facto são. O estudo publicado na revista “Current Biology” identificou um gene que ajuda explicar por que motivo algumas pessoas têm uma aparência mais jovem que outras.
 

Apesar de um único gene não poder por si só explicar o processo complexo do envelhecimento, os investigadores da Universidade Erasmus, na Holanda, acreditam que esta descoberta pode conduzir a novas vias de investigação.
 

Estudos anteriores já tinham demonstrado que a idade que um indivíduo aparenta ter, é influenciada por uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Constatou-se também que a idade que um indivíduo aparenta prevê a saúde e mortalidade. Ao que parece há uma ligação entre a idade que uma pessoa aparenta ter e quão saudável é, tendo em conta a idade biológica.
 

Para este estudo, os investigadores liderados por Manfred Kayse utilizaram o genoma de 2.600 indivíduos idosos e descobriram um gene, o MC1R, que está envolvido na idade que o rosto de uma pessoa aparenta ter.
 

“Pela primeira vez, descobrimos um gene que explica, em parte, por que motivo algumas pessoas parecem mais velhas ou mais novas do que a sua idade”, referiu, em comunicado de imprensa, o investigador.
 

O estudo apurou que os indivíduos portadores de uma variante específica do MC1R aparentavam ser dois anos mais novas do que a sua idade atual. Estes resultados mantiveram-se inalterados após os investigadores terem tido em conta a idade cronológica, sexo e quantidade de rugas.
 

O gene MC1R contém instruções para a produção de um recetor conhecido por melanocortina 1. Este recetor está envolvido na coloração da pele, cabelo e olhos. Uma variante específica do gene está habitualmente presente em indivíduos com pele clara, cabelo ruivo e sardas. A redução na função do gene MC1R tem sido associada a um aumento da sensibilidade ao sol e cancros da pele.
 

O gene MC1R também é conhecido por desempenhar várias funções, incluindo respostas inflamatórias e reparação do ADN danificado. Esta pode ser a chave para compreender como esta variante genética parece manter as pessoas mais jovens.
 

Os investigadores referem que as ações do MC1R são apenas uma pequena parte de uma grande rede de interações, em que estão muitas vias envolvidas. Os autores do estudo também acreditam que este tipo de investigação pode conduzir a uma melhor compreensão de como os genes influenciam o processo de envelhecimento no seu todo.

 

"Acreditamos que o uso da perceção da idade é uma das melhores e mais entusiasmantes formas de medir o quão ‘bem’ as pessoas estão a envelhecer, o que esperamos que venha a levar a novos avanços no envelhecimento e investigação na saúde no futuro próximo”, concluiu um dos autores do estudo, David Gum.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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