Cientistas identificam chave da memória

Odores despertam mecanismo

05 junho 2002
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Já lhe aconteceu estar num lugar novo, mas que lhe parece familiar. Um simples odor desperta-lhe as memórias. De repente, recorda-se de tudo: um almoço de Domingo em família há pelo menos 10 anos, o cheiro do bolo de chocolate, o sol a bater na janela da sala.
 

 

Embora estas recordações possam ser explicadas à luz de conceitos de psicanálise, cientistas americanos alegam ter descoberto como um forte cheiro forte ou um som podem, às vezes, accionar memórias de tempos distantes.
 

 

O estudo, feito por especialistas do Baylor College of Medicine do Texas, mostrou a região do cérebro onde ocorre o fenómeno é a região CA3 do hipocampo do cérebro.
 

 

A revista médica Science, onde o trabalho foi publicado, conta que a descoberta foi possível após estudos em ratinhos. Para tal, os cientistas criaram ratinhos transgénicos nos quais faltava apenas uma proteína na região CA3 do cérebro. Esta proteína, segundo os investigadores, tem um papel chave no aprendizagem, bem como na memória.
 

 

Mas para chegar a estas conclusões, os cientistas treinaram os ratos para realizarem tarefas por um labirinto com obstáculos. Tanto os animais transgénicos como os normais realizaram a tarefa da mesma forma.
 

Mas, quando os obstáculos foram retirados do labirinto, os ratos transgénicos ficaram completamente desorientados. Foi constado, então, que a ausência da proteína no hipocampo impedia que os ratinhos procurassem a memória para realizar tarefas.
 

 

Em entrevista à BBConline, o neurocientista que liderou o estudo, Dan Johnston, explicou o fenómeno: «Ao que parece, a região CA3 do hipocampo cerebral é essencial para um fenómeno chamado "complemento de padrão", que é a habilidade de se procurar memórias a partir de fragmentos da memória original».
 

 

Há algum tempo que os cientistas sabem da importância do hipocampo cerebral na memória. Essa região do cérebro é essencial para uma «visualização» inicial da memória, antes dela ser transmitida para outro local do órgão.
 

 

É por esta razão que se perde a capacidade de memória quando uma pessoa sofre um acidente ou tem uma lesão no hipocampo.
 

 

Por enquanto são estas as novidades da ciência em relação à memória, mas, segundo a equipa, o próximo passo das investigações é explicar como ocorre o processo de forma mais detalhada, ou seja, de neurónio para neurónio.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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