Cientistas identificam célula de origem do cancro da pele

Estudo publicado no “Nature”

27 julho 2016
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Pela primeira vez foi possível identificar a célula a partir da qual o carcinoma basocelular se desenvolve e acompanhar a cadeia de acontecimentos que levam ao desenvolvimento deste tipo de tumor invasivo, revelaram cientistas ingleses em artigo publicado na revista “Nature”.
 

Até este estudo, a comunidade científica debatia que tipo de células – estaminais, progenitoras ou ambas – dariam origem aos tumores, e como é que essas células se transformavam no decurso do processo de iniciação e crescimento do tumor. Cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e da Universidade Livre de Bruxelas, na Bélgica, demonstraram agora em modelo animal de que forma as células estaminais e progenitoras respondem à ativação de um oncogene: enquanto as células progenitoras dão origem a lesões benignas, as células estaminais têm a capacidade de se desenvolver em tumores mortíferos e invasivos.
 

Para se manter saudável, a pele renova-se constantemente, eliminando as células mortas e substituindo-as por novas. Este processo é garantido pelas células progenitoras que se dividem e diferenciam em células da pele totalmente funcionais que substituem as células mortas. Por sua vez, estas células são coadjuvadas por uma população mais pequena de células estaminais que se mantêm inativas até ser necessário reparar a pele quando esta é danificada.
 

O cancro ocorre quando este processo se transvia: ADN danificado ou a ativação de determinados genes, conhecidos como oncogenes, podem desencadear uma cadeia de eventos que pode resultar em última análise na proliferação desgovernada de células, ou seja, cancro. Embora nalguns casos estes tumores possam ser benignos, noutros podem disseminar-se pelo organismo e provocar falência de órgãos.
 

Neste estudo, os cientistas usaram um modelo animal de ratinho geneticamente modificado para permitir a ativação de um oncogene em células estaminais e progenitoras individuais. Ao oncogene foi acoplado um marcador fluorescente para facilitar a identificação das células onde o oncogene se encontrava ativo, assim como as células descendentes destas, denominadas clones.
 

A análise ao número de células fluorescentes através de um modelo matemático permitiu aos investigadores demonstrar que apenas os clones derivados de células estaminais mutantes eram capazes de evitar a apoptose (morte celular programada) e continuar a dividir-se de forma descontrolada, desenvolvendo-se em carcinoma basocelular. O desenvolvimento de clones derivados de células progenitoras, por seu lado, decorre de forma controlada através do aumento dos níveis de apoptose, conduzindo à formação de lesões benignas.
 

“É extremamente raro identificar uma célula cancerígena de origem e, até ao momento, ninguém tinha sido capaz de perceber o que acontece a um nível individual àquelas células à medida que estas mutam e proliferam”, refere em comunicado Cédric Blanpain, líder do estudo. “Sabemos agora que a culpa é das células estaminais: quando um oncogene é ativado numa célula estaminal, desencadeia uma reação em cadeia de divisão e proliferação celular que supera os mecanismos de segurança celular”.
 

De acordo com Blanpain, estes achados sugerem que as vias usadas na regulação celular – ou seja, se estas proliferam ou se diferenciam – poderão constituir um alvo viável para impedir o desenvolvimento do cancro e conduzir a novas terapêuticas.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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