Cientistas encontram células-mãe em líquido amniótico

Debate ético à beira do fim

01 julho 2003
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Um novo método que permite obter células-mãe do líquido amniótico, descoberto por investigadores da Universidade de Viena, poderá resolver o dilema ético da utilização de embriões humanos em experiências científicas, por dispensar a sua destruição.
 

 

As células-mãe, também conhecidas como precursoras ou estaminais, encontram-se nos embriões em estado indiferenciado, o que permite, através do seu cultivo em laboratório, transformá-las em qualquer tecido ou órgão desejado, com grandes implicações terapêuticas.
 

 

Uma equipa liderada pelo austríaco Markus Hengstschlaeger, da unidade de ginecologia da Clínica Universitária de Viena, descobriu que células obtidas do líquido amniótico (onde se encontra o feto durante a gestação) têm as mesmas características que as dos embriões.
 

 

Caso se cumpram as expectativas dos peritos, o que é necessário comprovar através de estudos, tornar-se-á dispensável o uso de células-mãe provenientes de embriões, tal como sugere a revista especializada «Human Reproduction», que publica um artigo sobre esta descoberta na sua última edição.
 

 

Como advertiu Hengstschlaeger em declarações à imprensa, as investigações estão numa fase inicial, sendo ainda necessário averiguar se as células são capazes de cumprir o que delas se espera, pelo que serão necessários mais dois anos de experiências.
 

 

As células foram extraídas do líquido amniótico de mulheres grávidas que se submetiam a uma análise por suspeita de gravidez problemática e não com a intenção prioritária de realizar estudos científicos.
 

 

A obtenção de células-mãe embrionárias é proibida em países como Áustria, Dinamarca, Espanha, França e Irlanda, enquanto que noutros, como Portugal ou Itália, ainda não existem disposições legais específicas (o governo português deverá apresentar uma proposta de lei brevemente).
 

 

A Grã-Bretanha é o único país da União Europeia onde é permitido criar embriões para fins de investigação, enquanto que na Alemanha é possível investigar com células embrionárias importadas.
 

 

Fonte: Lusa
 

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