Cientistas desvendam mecanismo cerebral da ilusão de óptica

O que se vê nem sempre é bem o que se pensa que é

11 outubro 2001
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O que se vê nem sempre é bem o que se pensa que é. Ao longo da vida aprendemos a perceber o que estamos a olhar, mas, muitas vezes, o nosso cérebro capta pistas falsas. Outras, simplesmente, preenche os pedaços que faltam.
 

 

Se, por exemplo, olhar durante alguns segundos para uma fonte com água borbulhante, e desviar os olhos, quando voltar a olhar o objecto este parece «fugir» para o lado oposto. Este é um dos fenómeno produzidos pelo nosso cérebro, cientificamente denominado por ilusão de óptica.
 

 

Apesar de ter sido largamente debatido durante os últimos 100 anos, investigadores que estudam o processamento cerebral da informação visual acreditam ter descoberto a razão pela qual o cérebro produz a ilusão.
 

 

A ilusão de óptica mais observada é, precisamente, a que se vê na televisão. As imagens da TV não estão em movimento. A televisão é, na verdade, um conjunto de imagens estáticas que aparentam movimento quando mostradas muito rapidamente.
 

 

Neurónios explicam tese
 

 

Este novo estudo vem agora explicar a base neuronal da ilusão. Com ajuda de exames de ressonância magnética, Alexander C. Huk, chefe da equipa de investigadores da Universidade de Washington, EUA, submeteu quatro homens entre 25 e 39 anos a vários exames cerebrais enquanto viam modelos de objectos em movimento.
 

 

Os resultados, publicados na edição de Outubro da revista Neuron, revelam que após olhar para um movimento padrão numa determinada direcção, por exemplo para esquerda, por um longo período, os neurónios que geralmente respondem de forma intensa durante o movimento (nesta direcção) começam a responder cada vez menos.
 

 

Quando o movimento para esquerda é interrompido e a pessoa olha para um padrão ou objecto imóvel, os neurónios selectivos do movimento para esquerda ainda respondem de forma menos intensa que o normal, mas os que respondem ao movimento para direita não foram afectados pelo movimento da esquerda e continuam a responder com mais intensidade que os neurónios selectivos para a esquerda.
 

 

Desequilíbrio
 

 

É neste momento que acontece um desequilíbrio na proporção da resposta entre os neurónios selectivos do movimento da esquerda e da direita em favor de um movimento vindo da direita.
 

 

Por isso, mesmo sabendo que não há um movimento real da direita, a percepção parece ocorrer em função deste desequilíbrio, criado pela “redução” da resposta
 

 

Uma descoberta importante revelada pelos investigadores refere que o efeito neuronal parece ser alterado pelo grau de atenção dado ao objecto móvel. Para os cientistas, a grande expectativa deste estudo é determinar o mesmo efeito neuronal estudado na percepção diária e não ilusória.
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

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