Cientistas desvendam a razão de a luz piorar crises de enxaqueca

Estudo publicado na revista “Nature Neuroscience”

03 fevereiro 2010
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Quem sofre de enxaqueca sabe que as crises de dor de cabeça melhoram se procurarem um local escuro para descansar. Neste estudo, publicado na revista “Nature Neuroscience”, os cientistas foram procurar respostas para o facto de a luz piorar os sintomas da condição.

 

Investigadores do Beth Israel Deaconess Medical Center, liderados por Rami Burstein, conseguiram identificar um mecanismo que, durante as crises de dor, ocorre tanto em pessoas com visão normal como em deficientes visuais.

 

Numa parte do estudo, os investigadores avaliaram dois grupos de deficientes visuais que sofriam de enxaqueca. Um primeiro grupo era composto por indivíduos completamente cegos devido a doenças como cancro na retina ou glaucoma. Estas pessoas não eram capazes de ver imagens ou de perceber luz, e tinham, por isso, dificuldade em manter os ciclos normais de sono. Um segundo grupo era formado por deficientes visuais devido a doenças degenerativas. Contudo, embora estas pessoas não fossem capazes de perceber as imagens, conseguiam detectar a presença de luz e manter ciclos normais de sono/vigília.

 

“Enquanto os pacientes do primeiro grupo não experimentaram diferenças após a exposição à luz, os do segundo grupo tiveram uma intensificação das dores”, disse o líder da investigação citado pela “Eurekalert”, adiantado que “o mecanismo da fotofobia deveria envolver o nervo óptico, dado que em indivíduos totalmente cegos esse nervo não transporta os sinais luminosos até o cérebro.”

 

Numa segunda parte do estudo, os cientistas foram verificar os resultados em ratinhos e constataram que, durante as crises de enxaqueca, um grupo de neurónios se tornava electricamente activo. E mesmo com a luz apagada, os neurónios permaneciam activos. “Isso ajuda a explicar o facto de os pacientes relatarem que as suas crises se intensificam segundos após a exposição à luz e melhoram entre 20 a 30 minutos depois de estarem em ambientes escuros”, explicou o líder da investigação.

 

Esta nova descoberta, segundo o líder da investigação, abre caminho para que no futuro se consigam desenvolver terapias que bloqueiem a via envolvida na dor, de modo a que os pacientes possam suportar a luz sem desconforto.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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