Cientistas desenvolvem nova técnica para combater VIH
03 junho 2002
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Investigadores norte-americanos desenvolveram uma forma de ácido ribonucleico (ARN) que silencia genes que desempenham um papel chave na infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH).
 

 

A equipa, do Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT), utilizou pequenos pedaços de ARN para "desligar" genes de importância vital para a produção de proteínas utilizadas pelo vírus para entrar e infectar as células.
 

 

O ARN, presente na maioria das células, transporta a informação genética necessária para a construção das proteínas.
 

 

"Se outros obstáculos forem ultrapassados, esta descoberta poderá ser a base de novas terapias contra o VIH", afirmou Phillip Sharp, que conduziu a pesquisa.
 

 

Sharp recebeu em 1993 o prémio Nobel por um trabalho na área da genética que mudou a forma como os cientistas encaram as doenças hereditárias, incluindo alguns cancros.
 

 

O trabalho, publicado na edição online da revista Nature Medicine, foi desenvolvido em laboratório e os cientistas têm agora de resolver problemas como descobrir as formas de incorporar o ARN nas células sem interferir com os processos biológicos normais, evitando os efeitos secundários.
 

 

Um investigador exterior ao estudo, Louis Mansky, da Universidade estatal do Ohio, considerou o trabalho interessante mas de difícil aplicação prática já que, nos testes laboratoriais, o RNA reduziu (mas não eliminou) o vírus.
 

 

Segundo Mansky, a descoberta poderá ser utilizada como complemento das actuais drogas utilizadas para combater o vírus da Sida.
 

 

Nos últimos anos, os cientistas descobriram que a dupla hélice do ácido ribonucleico podia silenciar alguns genes, num processo chamado "interferência de ARN".
 

 

As componentes responsáveis por este efeito foram denominadas de siRNA (do inglês "small interference ribonucleic acid") A equipa de Sharp conseguiu que dois tipos de siRNA silenciassem proteínas essenciais para que o VIH infecte uma célula.
 

 

"Em ambos os casos conseguimos demonstrar que estas pequenas interferências de ARN nas células conseguiam inibir a infecção por VIH", sublinhou Sharp.
 

 

O trabalho foi elaborado com base em genes de ratos e deverá demorar ainda algum tempo antes de os investigadores do MIT passarem a outro tipo de experiências.
 

 

Fonte: Lusa
 

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