Cientistas desenvolvem células tipo estaminal para aplicar na medicina dentária

A perda total ou parcial de dentes é um problema de saúde mundial

14 setembro 2017
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Células semelhantes às células estaminais, para serem utilizadas na medicina dentária regenerativa, foram desenvolvidas por uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC).
 
Uma equipa de nove investigadores de medicina dentária da Faculdade de Medicina de Coimbra desenvolveu, “a partir de fibroblastos gengivais”, células “semelhantes às células estaminais”, para serem utilizadas na medicina dentária regenerativa, revela a UC, numa nota enviada hoje à agência Lusa.
 
Os investigadores recorreram a uma “técnica de desdiferenciação celular”, que consiste na utilização de “células adultas e especializadas de um tecido” e sua reversão a um “estado próximo do estaminal em que as células têm a capacidade de se diferenciar em praticamente todos os tecidos do organismo”.
 
A medicina dentária dispõe de materiais sintéticos, mas estes “ainda não conseguem substituir todas as funções de um dente natural”, refere Miguel Marto, investigador do projeto.
 
Acredita-se, por isso, que o futuro passa por se conseguir “regenerar o dente e os seus tecidos em vez de os substituir por materiais sintéticos”, sublinha Miguel Marto, recordando que “a perda total ou parcial de dentes por doenças da cavidade oral, como cáries, traumatismos ou doenças gengivais, representa um problema de saúde a nível mundial”.
 
Assim, salienta o também docente da Faculdade de Medicina de Coimbra, citado pela UC, “a medicina dentária regenerativa procura, através da seleção e recolha de células estaminais, regenerar os tecidos perdidos, mas obter estas células apresenta várias dificuldades”.
 
Este trabalho científico, de “elevado nível de complexidade”, vem responder justamente “ao desafio de obter células semelhantes às células estaminais para serem utilizadas na medicina dentária regenerativa”, afirma Miguel Marto, adiantando que os investigadores utilizam “fibroblastos gengivais, que são fáceis de colher numa consulta médico-dentária”.
 
As células obtidas são depois utilizadas para dar origem a células próprias do dente, como os odontoblastos, que formam a dentina, o principal tecido duro dentário, possibilitando assim a sua utilização em procedimentos regenerativos. 
 
Apesar de neste projeto “se procurar a formação de estruturas dentárias, o método de obtenção de células tipo estaminal por desdiferenciação de fibroblastos gengivais abre portas à utilização em muitas outras doenças”, conclui Miguel Marto.
 
Liderado pela catedrática Eunice Carrilhoste, o estudo foi recentemente distinguido pela Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária (SPEMD) com uma bolsa de apoio à divulgação científica.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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