Cientistas descobrem sensores das carícias

Afinal, o Homem não tem só o tacto...

11 agosto 2002
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Quem tem animais de estimação, por exemplo um cão, sabe o quanto gostam de festinhas e palavras adocicadas. Tal como diversos mamíferos, o Homem (e entenda-se como espécie) também gosta de carinho. E porquê? Porque a pele humana tem pequenos sensores especializados, destinados a receber carinho. São estes sensores – que transmitem as sensações ao cérebro - os responsáveis pela sensação prazerosa.
 

 

O estudo, recentemente publicado na revista científica «Nature Neuroscience» (www.nature.com/neurosci), também desfaz um mistério anatómico: até ao momento, ninguém ainda tinha conseguido explicar a função de um grupo de minúsculos terminais nervosos que aparecem por toda a pele toda, excepto na palma das mãos e na planta dos pés.
 

 

Há dez anos atrás, acreditava-se que o homem não tivesse esses terminais, chamados de aferentes de condutos tácteis. Depois de terem sido descobertos nos gatos, o mistério continuou. Os cientistas não conseguiam encontrar o sensor no Homem e estes eram dificilmente encontrados nos macacos.
 

 

Mas o problema é que os investigadores procuravam os sensores do prazer em sítios errados, ou seja, na palma da mão, que não tem pêlos, aos quais os sensores de carinho estão sempre associados.
 

 

A equipa liderada pelo cientista sueco, Hakan Olausson, da Universidade de Gotemburgo, demonstrou que a espécie humana também os tinha, no entanto, ainda não tinham descoberto qual era, realmente, as suas funções.
 

 

Havia, contudo, uma certeza: esses sensores eram bem diferentes dos outros sensores de tacto. Só a título de exemplo, explica o artigo da Nature, os sensores do carinho não têm a chamada bainha de mielina - um grupo de células ricas em gordura que envolve grande parte dos nervos e funciona mais ou menos como o plástico em volta de um fio de cobre, isolando o impulso nervoso e tornando - o mais eficiente.
 

 

Tira teimas
 

 

As certezas de toda esta investigação chegaram através de uma paciente de 54 anos com um problema raro: tinha perdido todos os nervos com mielina do corpo devido a uma reacção auto-imune.
 

 

Embora detectasse calor, frio ou dor, a doente era incapaz de sentir comichões. Mas, se lhe tocassem ao de leve com um pincel macio no braço, a mulher sentia uma espécie de pressão ténue e agradável.
 

 

A ideia, então, foi verificar como essa sensação se reflectia no cérebro da paciente, comparando-o com o que acontecia no cérebro de 24 pessoas sem o mesmo problema. Enquanto todas as pessoas foram submetidas ao «teste do pincel», a equipa de Olausson verificava tudo o que acontecia nas imagens de ressonância magnética funcional - um tipo de exame que mostra quais as áreas do cérebro com maior fluxo sanguíneo.
 

 

Provas
 

 

O resultado imagético demostrou que o cérebro da doente tinha activação no córtex insular, uma área interna do sistema nervoso cuja principal função é o processamento de emoções e da excitação sexual.
 

 

Ao mesmo tempo, as áreas do córtex ligadas ao sentido de tacto ficaram completamente inactivas, ao contrário dos restantes voluntários que tiveram ambos os lugares activados.
 

 

Deste modo, avançam os cientistas, estes nervos são fundamentais para a sociabilidade, bem como para a reprodução entre os mamíferos, inclusive na espécie humana.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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