Cientistas criam «veículos» essenciais para terapia génica

Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica apresenta resultados positivos

20 abril 2003
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A terapia génica dá os primeiros passos, mas é já considerada um novo ramo da medicina no tratamento de doenças genéticas. A introdução no genoma de uma cópia do gene defeituoso ou ausente, que restaure a sua função, pode eliminar a doença. O grande busílis da investigação está em «como» levar a bom porto o gene terapêutico. Cientistas em todo o mundo procuram aperfeiçoar os mecanismos de transporte. Também em Portugal. Projectos do Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica (IBET) alcançam resultados positivos no desenvolvimento destes «veículos». Os ensaios clínicos começam dentro de três anos.
 

 

Embora os objectivos do projecto «Estabilização de retrovírus para aplicações clínicas de terapia génica», financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e coordenado por Manuel Carrondo, estejam a ser atingidos, os investigadores querem e precisam de ir mais longe antes de testarem o produto em pacientes com doenças muito raras e incuráveis, como a granulomatosa crónica ou a epidermólise bulhosa. Para isso não chegavam os recursos portugueses. Foi preciso atravessar a fronteira, concorrer a um projecto europeu e trabalhar em rede com equipas da Alemanha, França e Bélgica, um vasto grupo a que se juntou um nome sonante, o israelita Amos Panet.
 

 

Existem várias formas de encaminhar um gene terapêutico para as células-alvo: por transferência do DNA limpo, ou utilizando vectores virais, como os derivados de retrovírus, adenovírus, adeno-associados e outros, conforme a patologia que se pretende tratar.
 

 

Uma das características dos vírus é a capacidade de utilizarem a maquinaria celular para produzir e replicar o material genético. Daí o seu grande interesse científico como «transportadores» de genes. «Não é por acaso que os utilizamos se desenvolveram ao longo de milhões de anos precisamente para entrarem à vontade nas nossas células», diz Carrondo.
 

 

Alterando material genético do vírus, de maneira a retirar os genes codificadores de proteínas prejudiciais aos humanos e a capacidade de se replicarem a si próprios, a ciência tenta manter aqueles cuja função é servir de «veículo». «Pretende-se ainda que mantenham a capacidade de infectar as células do sistema humano na zona onde queremos introduzir o gene ou genes necessários para tapar ou alterar a causa da doença.»
 

 

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