Cientistas criam «super-tuberculose» por engano

Bactéria tornou-se mais virulenta quando desactivaram alguns genes

27 janeiro 2004
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Uma forma virulenta de tuberculose foi criada em laboratório por especialistas durante experiências genéticas com o objectivo de enfraquecer o bacilo responsável pela doença. A versão mutante do bacilo multiplicou-se mais rapidamente e de forma mais letal do que a sua versão original. Os investigadores da Universidade da Califórnia em Berkeley, na verdade, estão a tentar desactivar alguns genes e tornar a bactéria menos mortal. Mas não conseguiram. «Este é um dos poucos organismos hiper-virulentos já criados», afirmou à BBC a cientista Lisa Morici. A tuberculose é uma das principais causas de morte no mundo. Por isso, os cientistas dedicam-se com afinco ao estudo de uma estrutura genética para descobrir a sua fragilidade que, então, poderá ser explorada em novos tratamentos.O estudo de Berkeley, publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences, centrou-se numa colecção particular de genes que os cientistas acreditavam ser responsável pela virulência da tuberculose, ou seja, a sua capacidade de infectar. Desactivaram, então, esses genes e esperavam encontrar uma versão enfraquecida da tuberculose, como consequência. Mas, ao contrário, o organismo desenvolveu a virulência. A super-tuberculose matou as cobaias dos laboratórios em sete meses, enquanto os ratos que tinham sido infectados com a tuberculose comum sobreviveram à experiência. Estudos mais avançados indicaram que as mudanças genéticas tiveram o efeito inesperado de baixar a imunidade do próprio corpo em relação à tuberculose. Temeu-se que as modificações genéticas semelhantes pudessem levar à uma nova forma de tuberculose que poderia ser usada em bioterrorismo, mas Lisa Morici disse que isso não seria muito provável de acontecer. A bactéria é difícil de ser transportada na forma de aerossol, o método usado para espalhar sobre uma grande população e, apesar de sua maior virulência em laboratório, o agente transmissor da tuberculose desenvolve-se relativamente devagar e pode ser tratado com antibióticos. Novo micro-organismo Entretanto, foi descoberto na África do Sul um novo tipo de microrganismo causador da tuberculose resistente aos medicamentos normalmente usados no tratamento da doença. Depois de três anos de pesquisas em 72 clínicas e hospitais, esta nova cepa foi identificada na região sudoeste da África do Sul, numa investigação liderada por Tommie Victor, professor de tecnologia biomédica da Universidade de Stellenbosch-próxima à Cidade do Cabo-.«Identificamos várias cepas novas na África do Sul, uma das quais, a DRF150, que nunca tinha sido identificada no mundo», disse o cientista, cujos trabalhos foram publicados na revista «European Journal of Tubercle and Lung Disease».Cinco medicamentos são normalmente utilizados contra a tuberculose, mas a forma DRF 150 é resistente a quatro deles. Victor explicou que a tuberculose causada por este novo micro-organismo é curável, mas que o custo do seu tratamento é muito superior ao das outras formas da doença.Traduzido e adaptado por: Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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